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O partido ecologista Os Verdes (PEV) manifestou-se hoje contra o projeto de construção de um edifício no miradouro da Lagoa do Fogo, na ilha de São Miguel, nos Açores, alegando que atenta contra o património natural.

“Seria criminoso levar avante a realização de uma obra pesada no miradouro e atentador do património Natural, que a todos pertence, e, neste caso particular, deve ser deixado às gerações futuras”, afirmou o partido, em comunicado de imprensa.

A intervenção foi alvo de uma petição, subscrita por várias associações ecologistas, que conta com mais de 900 assinaturas e que reivindica que o executivo abandone “totalmente” o projeto de construção na zona do miradouro da Lagoa do Fogo e explore “soluções integradas e sustentáveis” para fazer face aos impactos do aumento da carga turística no local.

O partido Os Verdes manifestou também a sua “oposição” ao projeto, alertando para a importância da preservação da Lagoa do Fogo.

“Não há qualquer garantia de que esta obra venha a controlar o acesso à caldeira da Lagoa do Fogo pelo que, também por aí, o PEV não vê motivos para se fazer uma obra de forma permanente e irreversível, com balneários, numa área de extrema importância para as populações residentes, fauna, flora e/ou turismo”, frisou.

Para Os Verdes, o turismo não pode colocar em causa um local com “enorme importância no equilíbrio dos ecossistemas insulares, na proteção da biodiversidade do país e na qualidade de vida das populações”.

“O crescente interesse pelo turismo nos Açores, e em particular na ilha de São Miguel, tem levado a um aumento da pressão humana sobre zonas sensíveis como é a Lagoa do Fogo e conduzido à ideia de que intervir com obra pesada será a melhor forma de potenciar esse interesse turístico”, refere o partido.

Os Verdes “discordam desta forma de encarar as paisagens naturais/selvagens como mero produto de mercado cujo lucro deve ser potenciado”, sublinha.

O PEV salienta que a Lagoa do Fogo é “uma das mais antigas áreas protegidas do país”, tendo sido classificada como Reserva Natural em 1974 e integrada no parque natural de São Miguel em 2009.

O partido lembra ainda que a Reserva Natural da Lagoa do Fogo foi inserida na Rede Natura 2000, como zona especial de conservação, classificada como Sítio Ramsar e integrada no projeto ambiental Biótopo CORINE, “atendendo à importância do seu ecossistema e à presença de flora e fauna endémica”.

O deputado único da Iniciativa Liberal (IL) nos Açores, Nuno Barata, entregou, em maio, um projeto de resolução na Assembleia Legislativa da região, que propõe, como alternativa ao projeto de requalificação do miradouro da Lagoa do Fogo, um serviço de ‘shutlle’ para evitar congestionamentos e sobrecarga de viaturas e turistas.

Em novembro de 2019, o Governo Regional, liderado pelo PS, apresentou um projeto para a requalificação do miradouro da Lagoa do Fogo, que projetava a criação de um novo ponto de acesso, localizado no interior da caldeira, através da construção de um túnel.

O executivo açoriano de então assegurava que a obra teria um reduzido impacto visual e respeitaria a reserva natural, mas o projeto mereceu contestação de associações ambientalistas.

O atual Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), que tomou posse em novembro de 2020, apresentou um novo projeto, em julho de 2021.

O secretário regional do Ambiente e Alterações Climáticas, Alonso Miguel, disse, na altura, que o novo projeto teria o “menor impacto ambiental e paisagístico possível”, sendo eliminados “o túnel a escavar no interior da vertente da caldeira da Lagoa do Fogo”, “o edifício que seria escavado no interior da vertente” e “os novos miradouros e plataformas na vertente da Lagoa”.

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