PE recorda papel fundamental de Mário Soares na construção da Europa

O vice-presidente do Parlamento Europeu recordou hoje, na cerimónia de homenagem a Mário Soares, o papel fundamental do antigo chefe de Estado e de Governo português na construção da Europa, considerando-o como “um dos nobres pais” da União Europeia.

“Este é um dia e um momento importante para a história da Europa. Temos de perceber que não podemos tomar como um dado adquirido a democracia, a República. Temos de lutar por isso. Sabemos como a batalha e o caminho seguidos por pessoas como Mário Soares foram fundamentais para a Europa”, salientou David-Maria Sassoli.

O vice-presidente do PE enalteceu o papel de Mário Soares como “grande estadista do século XX”, mas, sobretudo, como “grande personalidade que deu um sentido completo à ideia da política como serviço público”.

“Mário Soares é o pai fundador do Portugal democrático e um dos nobres pais da União Europeia. Estes são dois mecanismos da mesma engrenagem. Mário Soares, com a sua obra, deixou-nos tantas reflexões que podem ser úteis ainda nos dias de hoje. O seu legado político deverá servir-nos como um manual de instruções para os dias que correm. Para o PE, este é um dia de festa”, reconheceu.

Cerca de um ano sobre o falecimento de Mário Soares, a instituição homenageou hoje o antigo chefe de Estado e de Governo português, atribuindo o seu nome a uma das salas da assembleia em Bruxelas, numa cerimónia em que estiveram presentes o primeiro-ministro, António Costa, deputados portugueses com assento no PE, dos vários quadrantes políticos, o comissário europeu da Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, entre outros.

O primeiro a discursar diante da sala repleta foi o líder da delegação do PS no PE, Carlos Zorrinho, que lembrou o “grande defensor do ideal europeu e dos seus valores” e revelou o unanimismo que os socialistas encontraram no apoio à sua proposta de homenagem a Soares.

“O seu nome, hoje gravado nesta sala, está também gravado a letras de ouro e cravos na história da Humanidade”, prosseguiu, frisando que a presença do primeiro-ministro na cerimónia supõe o reconhecimento de Mário Soares como pai fundador do PS.

Quebrando a toada de discursos institucionais, prolongada pelo presidente do Grupo dos Socialistas e Democratas (S&D), Gianni Pitella, que definiu o antigo governante como “um gigante da vida política europeia”, Isabel Soares arrancou o maior aplauso à audiência, ao recordar, emocionada, o pai.

“A homenagem de hoje, que deixa o seu nome indelevelmente ligado ao PE, é, para nós, seus filhos, emocionante e profundamente justa”, disse, partilhando um sentimento corroborado pelo irmão poucos minutos depois.

Numa longa intervenção, na qual reviveu o percurso político do pai, João Soares elogiou ainda o Governo de António Costa, que considerou demonstrar o espírito do pensamento de Mário Soares, e o ministro das Finanças, Mário Centeno, de quem se assumiu “admirador e apoiante”.

“Não foi só um companheiro, foi um amigo, um amigo da alma. Hoje quero prestar-lhe uma homenagem como amigo: o facto de esta sala ter o seu nome em vez de um número é dar espírito à construção europeia do parlamento. Esta sala tem identidade do espírito europeísta de Mário Soares”, defendeu ainda Felipe González, antigo chefe do Governo espanhol, que partilhou, “durante quase meio século”, “as mesmas trincheiras, a mesma batalha” do político português.