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A eurodeputada do PCP Sandra Pereira defendeu a aposta nas conserveiras dos Açores e denunciou um “erro administrativo lamentável” que obrigou as ex-trabalhadoras da Cofaco a devolver dinheiro à Segurança Social.

Depois de visitar as ilhas do Pico, São Jorge e São Miguel, a eurodeputada afirmou hoje, em conferência de imprensa tida em Ponta Delgada, que “a região tem muitas potencialidades de desenvolvimento, que não estão a ser todas aproveitadas”, como é o caso das conserveiras.

Sandra Pereira mencionou a “necessidade de modernização daquela indústria” na fábrica da Santa Catarina, em São Jorge, e apontou para a “questão da conserveira Cofaco”, no Pico, que despediu 160 mulheres e ainda não há solução para aquilo que está prometido, que era um posto de trabalho”.

A comunista lembra que o partido questionou, em julho, a Comissão Europeia se tinha recebido algum pedido de financiamento para a construção desta estrutura, mas a instituição, que tem três meses para responder, ainda não o fez.

Depois de reunir com várias ex-trabalhadoras, diz ter ficado “preocupada porque a aflição delas é grande, porque muitas delas já não têm subsídio de desemprego, muitas delas não tiveram depois aquilo que é o subsequente, algumas diziam que gostavam que os filhos fossem para a universidade, mas perante esta incerteza do que é o futuro, se vão ou não ter o seu posto de trabalho, os filhos já não vão para a universidade”.

A eurodeputada denuncia, também um “erro administrativo lamentável de serviços depositarem dinheiro nas contas destas mulheres e dizerem que eram retroativos, mas depois tiveram de o devolver”.

Em causa, adianta, estão transferências da Segurança Social, com quantias que diferem, mas, ao que apurou, estão entre os 400 e os 1.500 euros.

A Segurança Social está agora a fazer pedidos de devolução destes valores, depois de ter explicado a algumas destas mulheres que diziam respeito a retroativos e a outras que “era uma medida da covid-19 que prolongava o subsídio de desemprego”.

Questionada pela Lusa sobre esta questão, a União de Sindicatos de Angra do Heroísmo, que representa estes trabalhadores, disse não ter conhecimento da situação.

O parlamento aprovou, na sexta-feira passada, uma proposta do PSD que dá força de lei à majoração dos apoios sociais para estas trabalhadoras, que já tinha sido inscrita no Orçamento de Estado para 2020, por proposta do PCP, mas que ainda não foi concretizada.

Ainda sobre a indústria conserveira, a comunista referiu que a Santa Catarina, em São Jorge, precisa de uma modernização, que “permitiria, até, um melhor aproveitamento da matéria prima” reforçando que, “mantendo-se o mesmo número de postos de trabalho, poderia aumentar-se a produção”.

A parlamentar considera “bastante irónico” que esta empresa, “por ser uma empresa pública, não pode aceder a fundos europeus”, esclarecendo que “é a mesma questão da Caixa Geral de Depósitos, que não pode ter injeção de capital do Estado, mas depois um banco privado pode”.

“Há aqui uma concorrência desleal muito grande entre o público e o privado, porque, ironicamente, o público não pode ter acesso a um tipo de financiamento a que o privado pode, sobretudo numa empresa que é estratégica para a região – a Santa Catarina é o maior empregador de São Jorge”, prosseguiu.

A eurodeputada frisou ainda a importância dos apoios comunitários para a agricultura, nomeadamente do POSEI, que deve ser reforçado.

Sobre esta matéria, o partido vem “desde o início do ano a alertar para o facto de não se atrasarem as negociações do orçamento”, já que 2020 está a terminar e “o orçamento tem de ser executado em 2021, e, portanto, aceita-se qualquer cenário, mesmo que seja um cenário com reduções que prejudicam o país”, rematou.

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