Passos Coelho defende que PSD será sempre partido “relevantíssimo”

Pedro Passos Coelho defendeu hoje que o PSD será sempre “um partido relevantíssimo” na democracia portuguesa e afirmou que a sua decisão de não se recandidatar à liderança lhe parece “cada vez mais acertada”.

No jantar de Natal do grupo parlamentar do PSD, que será o último sob a sua liderança, Pedro Passos Coelho fez questão de deixar uma palavra sobre o futuro do partido, que, a 13 de janeiro, escolherá um novo presidente entre Rui Rio e Pedro Santana Lopes.

“Estou convencido de que o PSD será sempre um partido relevantíssimo, porque foi sempre um partido que, independentemente das suas lideranças, conseguiu pressentir o futuro para o país”, afirmou.

“Isso fará do PSD, em qualquer consulado, um partido que é importante no nosso xadrez político”, acrescentou, dizendo ter tido “uma enorme honra” em liderar o partido durante quase oito anos.

Passos agradeceu ao líder parlamentar, Hugo Soares, pelo vídeo com que o ‘presenteou’ antes da sua intervenção e que, ao longo de dez minutos, recorda momentos da sua presidência, desde A sua eleição em 2010, à chegada ao cargo de primeiro-ministro e, depois, na oposição, com depoimentos de muitos dos deputados da bancada social-democrata.

“Estará quase a fazer oito anos que terei estado como presidente do PSD e isso é realmente imenso tempo, pelo que a decisão que anunciei há não muito me parece cada vez mais acertada. Há uma altura para tudo e o caminho que percorremos fecha um ciclo e abrirá um outro ciclo, no qual tenho a certeza de que o país estará no centro da ação do PSD e dos seus militantes e dirigentes”, afirmou.

Passos desejou ainda que este novo ciclo tenha “um suporte eleitoral significativo”, que permita ao PSD regressar ao poder.

“O país não precisa do PSD apenas quando há resgate e as coisas correm mal, também precisa da força reformista do PSD”, afirmou.

Antes de Passos Coelho, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, centrou a sua intervenção no elogio a Passos Coelho, agradecendo o seu legado, primeiro no Governo e, depois, na oposição, considerando que “colocou sempre os interesses de Portugal” à frente dos seus e, muitas vezes, dos do PSD.

“A forma como saiu do Governo deu-nos a todos uma grande lição de coerência: era bem mais fácil para ele fazer aquilo que muitos lhe diziam: ‘dispa lá o casaco de primeiro-ministro, tire lá o pin do casaco'” afirmou.

No vídeo, narrado pelo atual e ex-líderes parlamentares, Hugo Soares e Luís Montenegro, foram muitos os deputados do PSD que deixaram uma mensagem a Passos Coelho: há quem resuma as suas qualidades numa palavra, como “persistência” ou “determinação”, ou quem aproveite para pedir ao líder de saída para que “volte depressa”, como o deputado Álvaro Baptista.

Hugo Soares fez também questão de dar uma palavra ao ‘histórico’ assessor do PSD, Zeca Mendonça, que na semana passada deixou funções no partido — depois de ter sido assessor de imprensa de todos os presidentes sociais-democratas — para reforçar o gabinete de comunicação do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

“Esta é o momento em que centenas de pessoas perguntam quem é que estava ao lado de Zeca Mendonça”, brincou Hugo Soares, depois de o ex-assessor do PSD, que participou no jantar do grupo parlamentar como comvidado, se ter levantado para ir abraçar o líder da bancada.