Papa Francisco inicia em Maputo viagem a África

O Papa Francisco inicia na quarta-feira uma visita de uma semana até África, durante a qual, até dia 10, visitará as capitais de Moçambique, Madagáscar e das Ilhas Maurícias.

O sumo pontífice da Igreja Católica sairá de Roma pelas 08:00 locais (07:00 de Lisboa) de quarta-feira, dia 04 de setembro, com destino a Moçambique, devendo chegar país lusófono pelas 18:30 locais (17:30 de Lisboa), onde será recebido numa cerimónia no aeroporto de Maputo, capital moçambicana.

No dia seguinte, o Papa encontrar-se-á com o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, no palácio presidencial da Ponta Vermelha, no qual, mais tarde, o sumo pontífice se irá reunir com autoridades, representantes da sociedade civil e com corpo diplomático, discursando no final.

Ainda nesse dia, o líder da Igreja Católica participará num encontro inter-religioso com jovens no pavilhão de Maxaquene.

Por fim, o Papa encontrar-se-á com membros do clero, de instituições religiosas católicas, catequistas e animadores na Catedral da Imaculada Conceição.

A agenda do dia 06 de setembro inicia-se com uma visita do Papa ao hospital do Zimpeto, antes de proferir uma missa no Estádio Nacional do Zimpeto, inaugurado em 2011, e na qual se estima a presença de até 90.000 fiéis.

Após uma cerimónia de despedida no aeroporto de Maputo, o Papa partirá às 12:40 locais (11:40 de Lisboa), devendo chegar a Antananarivo, capital de Madagáscar, pelas 17:30 locais (15:30 de Lisboa), sendo recebido numa cerimónia no aeroporto da cidade.

A visita do líder da Igreja Católica foi motivada pelo apelo lançado pelos bispos moçambicanos em novembro de 2016, tendo o convite sido reforçado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, em setembro de 2018.

Esta será a segunda visita de um papa a Moçambique, 30 anos depois de João Paulo II.

O programa do dia 07, começa com uma visita ao Presidente malgaxe, Andry Rajoelina, no palácio presidencial Iavoloha.

Em Antananarivo, o Papa Francisco reunir-se-á com membros das autoridades, representantes da sociedade civil e com corpo diplomático no Ceremony Building onde, à semelhança do acontecido no palácio da Ponta Vermelha, fará um discurso.

Nesse dia, o sumo pontífice participará numa oração no Mosteiro das Carmelitas Descalças, num encontro com o visconde de Madagáscar na Catedral de Andohalo, e visitará o túmulo da beata malgaxe Victoire Rasoamanarivo. O dia terminará com uma vigília junto dos jovens no campo diocesano de Soamandrakizay.

Na manhã seguinte, o mesmo local acolhe uma missa presidida pelo Papa argentino, seguindo-se uma visita a Akamasoa, a “Cidade da Amizade”.

Em Mahatzana, o Papa proferirá uma oração pelos trabalhadores, à qual se seguirá um encontro com membros e representantes da Igreja Católica no Colégio de São Miguel, fundado em 1888 pela Companhia de Jesus.

Esta é a primeira visita de um papa a Madagáscar em mais de 30 anos, sendo que a anterior, do Papa João Paulo II, aconteceu entre final de abril e início de maio de 1989.

Em 09 de setembro, penúltimo dia da viagem junto ao Índico, o Papa Francisco parte para Port Louis, capital das Ilhas Maurícias, onde deverá chegar às 12:40 locais (09:40 de Lisboa).

Após uma cerimónia de receção no aeroporto de Port Louis, o líder espiritual vai conduzir uma nova missa no Monumento de Maria Rainha da Paz, seguindo-se um almoço com alguns bispos do país.

Da parte da tarde, fará uma visita privada ao santuário de Pere Laval, também na capital do país.

De seguida, o líder da Igreja Católica segue para o Palácio Presidencial, onde fará uma visita de cortesia ao Presidente incumbente, Barlen Vyapoory — que substituiu a ex-chefe de Estado Ameenah Gurib em março de 2018, quando esta apresentou a demissão — e um encontro com o primeiro-ministro Pravind Jugnauth.

Antes de partir novamente para Madagáscar num voo marcado para as 21:00 locais (18:00 de Lisboa), o Sumo Pontífice terá uma cerimónia de despedida que celebrará a primeira visita de um papa às Ilhas Maurícias em quase 30 anos, país que acolheu João Paulo II em outubro de 1989.

Na agenda do último dia da viagem de Francisco consta uma cerimónia de despedida na capital malgaxe e o regresso a Roma, marcado para as 10:20 locais (08:20 de Lisboa), com a chegada ao aeroporto de Ciampino calculada para as 19:00 de Roma (18:00 de Lisboa).

Jorge Mario Bergoglio, atualmente com 82 anos, foi eleito pelo Conclave de 2013 para substituir Bento XVI, que renunciou ao cargo por “já não ter forças”, escolhendo o nome de Francisco numa referência a Francisco de Assis.

África “pobre” recebe visita, onde os católicos “estão longe de ser uma maioria”

O padre Tony Neves, do conselho geral dos missionários do Espírito Santo, em Roma, afirmou hoje que o Papa visitará em setembro uma África “muito pobre”, mas com “mais estabilidade” e onde os católicos estão longe de ser uma maioria.

A tutelar o departamento de justiça e paz, liberdade da criação e diálogo inter-religioso dos Missionários do Espírito Santo, o padre Tony Neves, experimentado de África, afirmou, em declarações à Lusa que os três países que o líder da igreja Católica visitará entre 4 e 10 de setembro – Moçambique, Madagáscar e Ilhas Maurícias – são estados, que “no plano do desenvolvimento económico continuam muito, muito frágeis”, com “sociedades muito pobres”.

“Agora, acrescenta-se o facto de Moçambique ter tido o Keneth e o Idai, dois furacões que puseram o país num frangalho. Um país que já era pobre e tinha todos os problemas deste mundo e do outro, com a passagem dos furacões piorou”, especificou, ressalvando, porém, que a decisão do Papa de visitar o país foi anterior.

Francisco regressa a um continente que preocupa a igreja

O Papa Francisco inicia na próxima semana a sua quarta visita apostólica ao continente africano desde que foi eleito líder da Igreja Católica, em 2015, voltando a um continente palco de muitos conflitos.

Cinco meses depois de ter estado em Marrocos, nos dias 30 e 31 de março, o líderda Igreja Católica inicia a sua 31.ª visita apostólica fora de Itália, num périplo de dez dias em que passará por Moçambique, Madagáscar e Ilhas Maurícias.

O Papa chega a uma África que enfrenta várias crises: doenças infeciosas, guerras civis, golpes de Estado, ataques por milícias e grupos ‘jihadistas’ armados, efeitos das alterações climáticas e outros, que contribuem para a desestabilização do continente.

Paz no país será tema dominante na visita papal

O padre Tony Neves, do conselho geral dos Missionários do Espírito Santo, em Roma, afirmou hoje que um dos temas dominantes da visita papal a Moçambique será a paz, chamando a atenção do mundo para a sua importância.

“A questão do processo de paz, com o protocolo agora assinado [a 06 de agosto] e a sua implementação, bem como os danos colaterais de posições assumidas pelos militares da Renamo já após o acordo terão de ser alvo de conversas”, afirmou o padre Tony Neves, em declarações à Lusa por telefone, um conhecedor da realidade de África e, em particular de Moçambique, onde viveu muitos anos.

O dossiê da paz vai, na sua opinião, “ser muito falado” durante esta viagem a Moçambique, na qual, e como sempre, o Papa terá centenas de jornalistas a ouvirem o que diz, e que “irão amplificar o que vai dizer”.