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O Papa Francisco chegou hoje ao Canadá para uma “peregrinação penitencial”, durante a qual deverá renovar as desculpas pelo papel da Igreja no drama dos pensionatos indígenas, um gesto esperado há anos no país.

O Papa, 85 anos, chegou a Edmonton, no oeste do Canadá, no final da manhã de hoje, para a primeira de três paragens na sua viagem.

Francisco visitará também a cidade de Quebeque e Igaluit, a capital do território de Nunavut, uma cidade do extremo norte do Canadá no arquipélago ártico, antes de partir na sexta-feira.

Antes de deixar Roma, o Papa enviou uma mensagem na rede social Twitter aos seus “queridos irmãos e irmãs no Canadá”.

“Venho entre vós para me encontrar com os povos indígenas. Espero que, com a graça de Deus, a minha peregrinação penitencial possa contribuir para o caminho de reconciliação já iniciado. Por favor, acompanhem-me em oração”, escreveu.

No avião, voltou a sublinhar aos jornalistas o aspeto penitencial da sua viagem, que é principalmente dedicada aos povos aborígenes, ameríndios ancestrais que representam hoje 5% da população do Canadá e que formam três grupos: as Primeiras Nações, os Métis e os Inuits.

Os últimos foram submetidos durante décadas a uma política de assimilação forçada, nomeadamente através de um sistema de escolas residenciais para crianças, subsidiado pelo Estado mas administrado na sua maioria pela Igreja Católica.

Entre o final do século XIX e os anos 1990, cerca de 150.000 crianças indígenas foram recrutadas à força para mais de 130 destas instituições. Aí foram isolados das famílias, da língua e cultura, e foram frequentemente vítimas de violência. Pelo menos 6.000 crianças morreram nestas instituições.

A descoberta em 2021 de mais de 1.300 sepulturas não identificadas perto destas escolas provocou uma onda de choque no país, que está lentamente a abrir os olhos para este passado, descrito como “genocídio cultural” por uma comissão nacional de inquérito.

“Esta viagem histórica é uma parte importante do processo de cura”, mas “há ainda muito a fazer”, disse George Arcand Jr, grande chefe da Confederação das Primeiras Nações, numa conferência de imprensa em Edmonton na quinta-feira.

O Papa já pediu desculpa a uma delegação de nativos canadianos no Vaticano, em abril passado.

A viagem de hoje, 10 horas, foi a mais longa do Papa desde 2019. Na segunda-feira deve encontrar-se uma primeira vez com membros dos povos indígenas em Maskwacis, a uma centena de quilómetros a sul de Edmonton, onde se espera que se reúnam 15.000 pessoas. Alberta é a província com mais internatos.

Ao todo, Francisco deve fazer quatro discursos e quatro homilias, todos em espanhol. É o segundo Papa a visitar o Canadá, depois de João Paulo II.

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