País precisa de continuar com medidas restritivas e de contenção, diz Carlos César

Carlos César, que participou ontem numa reunião de apresentação da situação epidemiológica da Covid-19, onde estiveram o Presidente da República, o Governo e vários partidos políticos, disse hoje no programa semanal da TSF ‘Almoços Grátis’ que o que resultou desse encontro foi, “por um lado, a necessidade de prosseguirmos com o conjunto de medidas restritivas e de contenção e com uma vigilância ativa que nos permita conter uma progressão galopante desta pandemia no nosso país” e, por outro, a necessidade de se “prosseguir o estado de emergência”.

O estado de emergência deu “mais conforto a medidas que o Governo já tinha tomado e que pretendia tomar” através de um decreto-lei “trabalhado entre a Presidência da República e o gabinete do primeiro-ministro”, lembrou.

O presidente do PS defendeu que “o próximo decreto-lei devia incluir, com o mínimo detalhe, tal como aconteceu com o primeiro, as novas medidas que deverão ser adotadas e as que se manterão como possibilidade, tal como a legislação as dispõe”. E avançou que estão a ser discutidas mais medidas entre o Governo e a Presidência da República.

“Se voltássemos agora, nestas próximas semanas, a uma vida normal, ou se abrandássemos nas restrições, o número de casos voltaria a crescer perigosa e exponencialmente”, alertou.

Carlos César frisou que quando chegar a altura de se falar num abrandamento das medidas, será “necessário estudar com muito rigor as formas de sair deste ambiente restritivo sem que daí resulte um crescimento exponencial da pandemia no nosso país. Esse esforço é muito importante”.

O dirigente socialista deixou depois uma certeza: “Temos que ter, no nosso país, um grande respeito por todos quantos estão nestas primeiras linhas de decisão e de comunicação. São missões de terrível exigência e tensão aquelas que, por exemplo, têm os responsáveis e as autoridades que diariamente comunicam e se sujeitam ao interrogatório exigente – é natural – dos jornalistas nas conferências de imprensa diárias. É um trabalho muito difícil e que é evidentemente um trabalho que nunca estará isento de qualquer lapso ou de qualquer menor qualidade do ponto de vista comunicacional”.

Carlos César aproveitou ainda para elogiar uma resposta da ministra da Saúde, Marta Temido, “de grande valor do ponto de vista político e também do ponto de vista do seu humanismo”. “No plano dos cuidados de saúde, a ministra da Saúde foi muito feliz afirmando a prioridade da proteção aos mais frágeis e rejeitando qualquer forma de estigmatização na qualidade e prioridade dos cuidados aos doentes infetados, reafirmando a confiança nos juízos técnico e ético dos profissionais de saúde”, sublinhou.

“Portanto, ao contrário de algumas reflexões que já se fazem em alguns países sobre deixar morrer ou abandonar quem tem menos probabilidades de sobreviver, eu acho muito importante esse posicionamento ético do Governo e em especial da ministra da Saúde, e acho que era também muito importante que, sobre isso, os partidos e outras instituições se fossem pronunciando”, declarou Carlos César.

Contagem decrescente para desagregação ou afirmação da UE

Carlos César recordou depois as afirmações do ministro das Finanças holandês, que na semana passada sugeriu que se fizesse uma investigação a Espanha depois de Madrid ter afirmado que não tinha margem orçamental para responder à crise provocada pelo Covid-19 sem o apoio financeiro da União Europeia. “Não é aceitável o que disse o ministro das Finanças holandês”.

E aqui o primeiro-ministro, António Costa, “foi muito corajoso” ao qualificar o discurso do holandês como “repugnante”, defendeu o presidente do PS. “Tanto não é aceitável que já hoje na sociedade política holandesa há um enorme debate e um coro enorme de críticas contra o Governo, contra o primeiro-ministro holandês e contra o ministro das Finanças holandês. Há um erro de base, não se trata de compensar os erros de alguns – de Espanha ou de Itália – mas sim o de compensar os efeitos de uma crise que a todos atinge, independentemente do histórico político e governativo de cada país”, explicou.

Carlos César deixou algumas críticas à União Europeia, que “ainda não deu exemplos de eficácia” nesta crise, e recordou que “os países europeus estão muito marcados pela crise de 2008”. “Se a União Europeia não for capaz de superar isso, não interessa já como união e será certamente avaliada pelos povos europeus como um projeto sem sentido e sustentabilidade”, avisou.

O socialista mostrou-se ainda “muito satisfeito” com a “firmeza que ontem a comissária Elisa Ferreira demonstrou, dizendo, em tom mais sindical do que governamental à escala europeia, que a Comissão Europeia terá que estudar ou está a estudar muitas iniciativas comuns e de mobilização orçamental agora e para o futuro”.

“O que é certo é que a contagem decrescente para a desagregação ou para a afirmação da União Europeia já começou. Vamos necessitar de fundos como nunca aconteceu para o combate aos efeitos pandémicos atuais e futuros” e, para além destes fundos, vai ser obrigatória uma “estratégia conjunta”, garantiu.