“Não há segurança no local onde cerca de 500 pessoas da ilha Terceira são seguidas e simplesmente não há forças de segurança à semelhança de outras instituições. Por exemplo, em São Miguel, na instituição que faz o mesmo trabalho, a Arrisca, existem dois agentes da PSP diariamente à porta”, adiantou, em declarações à Lusa, o presidente da secção regional da Ordem dos Enfermeiros, Pedro Soares.

A agressão, denunciada em comunicado de imprensa, ocorreu na semana passada, a um enfermeiro do programa Percursos, responsável pelo tratamento por substituição de opiáceos na ilha Terceira.

“Foi um utente que não quis aceitar algumas das indicações que o enfermeiro estava a dar e, com a ajuda de um segundo utente, partiu para a agressão do profissional de saúde”, relatou Pedro Soares.

O responsável regional da Ordem dos Enfermeiros disse que é a primeira vez que tem conhecimento de um caso de agressão naquela instituição, mas salientou que a violência contra profissionais de saúde tem vindo a aumentar nos Açores.

“Nos últimos meses, principalmente no último ano, já recebemos algumas denúncias por parte de alguns enfermeiros, o que nos faz pensar que os casos têm aumentado nos últimos tempos”, disse.

Entre os exemplos dados por Pedro Soares estão situações ocorridas em centros de vacinação contra a Covid-19 e de testagem da infeção por SARS-CoV-2.

“Nós pensamos que tem a ver com a dinâmica da própria sociedade, com o facto de as pessoas estarem um pouco cansadas de toda esta situação, agora isto não pode servir de desculpa e não podemos tolerar de maneira nenhuma que seja esta a desculpa para terem comportamentos menos dignos para com os profissionais de saúde”, sublinhou.

Segundo o presidente da secção regional da Ordem dos Enfermeiros, a equipa do programa Percursos já tinha alertado para a necessidade de segurança no espaço.

“Aquilo que nos foi transmitido na nossa visita é que houve algum desinvestimento nos últimos anos nesta área na ilha Terceira, o que fez com que não fossem atendidas algumas questões já denunciadas pela equipa, nomeadamente falta de enfermeiros e de segurança”, salientou.

Pelas contas da Ordem, este programa deveria contar com sete enfermeiros, mas tem apenas três ao serviço.

“Nós tememos que isto se repita, porque aquilo que nos dizem nos últimos tempos é que tem vindo a aumentar. Numa população tão específica como esta, facilmente esta situação poderá acontecer novamente e nós não temos dúvidas de que a única forma de ultrapassar isto é que haja segurança efetiva no local”, alertou Pedro Soares.