Oposição nos Açores pede que sejam resolvidos problemas na região

Os partidos dos Açores que estão na oposição ao Governo Regional, do PS, sublinharam hoje que, apesar de reconhecerem que as propostas para combater a abstenção merecem reflexão, o fundamental passa por resolver problemas como a mobilidade dos açorianos.

O líder do PSD/Açores, Alexandre Gaudêncio, diz que “todas as propostas” que combatam a abstenção “merecem reflexão”, e o PSD está “a fazer o seu trabalho de casa” também nesse campo.

De todo o modo, diz o social-democrata, reagindo a uma intervenção do presidente do Governo dos Açores no Dia da Região, com “a falta de lugares na SATA” e também no transporte marítimo, “dificilmente haverá pessoas motivadas” para votar.

“O que achamos, numa primeira análise, é que só mudando de pessoas e políticas para ir ao encontro das expetativas e necessidades das pessoas é que as pessoas se vão sentir motivadas para combater a abstenção”, prosseguiu o dirigente do PSD.

Mais à direita, o líder do CDS nos Açores, Artur Lima, defendeu que a abstenção “tem de ser combatida mas não com coelhos da cartola”, já que “o que faz aumentar a abstenção é a descrença nas instituições”.

“É mais fácil chegar dos Açores à Austrália do que de qualquer ilha a São Jorge”, declarou ainda, também criticando a SATA, num ano em que o Dia da Região Autónoma dos Açores se assinalou no concelho da Calheta, em São Jorge.

Artur Lima definiu ainda como “absolutamente lamentável” que as celebrações do Dia de Portugal, que se assinala todos os anos a 10 de junho, não tenham sido articuladas com o Dia da Região Autónoma dos Açores, que este ano calhou também a 10 de junho.

À esquerda, o líder do Bloco nos Açores, António Lima, diz ter recebido com “algumas reservas” a proposta de benefícios fiscais ou de outro tipo para os cidadãos que votam.

“Essa proposta de beneficiar quem vota e participa nos atos eleitorais parece-nos ir numa onda populista. Beneficiar quem vota é penalizar quem não o faz”, disse ainda, assinalando também, da intervenção de Vasco Cordeiro, o que diz ser o “reconhecimento” de que “algo está a falhar” na relação entre a República e os Açores.

Já o líder do PCP/Açores, Marco Varela, defende que “tudo o que for combater a abstenção é positivo”, mas a melhor forma de combater o fenómeno “é ter políticas que vão de acordo com o interesse dos açorianos”.

A falta de lugares na SATA foi também referida pelo dirigente do PCP como negativa: “Isso não é uma forma de cativar, mobilizar as pessoas para votar”, disse, sobre esse ponto.

O PS, que apoia o executivo, destacou no discurso de Vasco Cordeiro a “visão progressista dos desafios que se colocam ao nível da autonomia”, nomeadamente na relação com a República e no necessário “incrementar dos níveis de participação cívica”.

Houve do chefe do executivo açoriano “uma visão muito realista do percurso da autonomia, das mais-valias muito significativas para a melhoria da qualidade de vida dos açorianos”, disse aos jornalistas o dirigente socialista Vítor Fraga.

O PPM, que tem Paulo Estêvão como deputado único no hemiciclo açoriano, não se fez representar na cerimónia de hoje.

O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, defendeu hoje um “contrato de cidadania” em que os cidadãos com bom histórico de participação eleitoral possam ter benefícios do Estado.

“Ao invés da abordagem mais comum à situação de não participação, e que se pauta, em última instância, por uma sanção nos casos de países que têm sistemas de voto obrigatório, o modelo a que nos referimos passa por uma valorização dos cidadãos que tenham um histórico de participação”, afirmou Vasco Cordeiro.

A valorização dos cidadãos com bom histórico eleitoral “pode acontecer nas mais variadas componentes da intervenção do Estado ou dos serviços que o mesmo presta, desde a área fiscal à área social”.

Para Vasco Cordeiro, que apresentou esta ideia “com a intenção de suscitar o debate”, a “solução pela positiva” tem como objetivo valorizar “o cidadão comprometido com a vivência política da sua comunidade”, sendo “uma solução que não retira nada a ninguém, mas acrescenta a quem participa, quem contribui pelo seu voto para a vida da comunidade política em que se insere”.