Oposição nos Açores desiludida com audição de Vasco Cordeiro sobre a SATA

A maioria dos partidos da oposição no parlamento dos Açores mostrou-se hoje desiludida com a audição do presidente do executivo regional sobre a SATA, com Vasco Cordeiro e o PS a falarem em “rigor” nas declarações prestadas.

O PSD, maior partido da oposição, disse que Vasco Cordeiro não abordou nas mais de três horas de audição sobre a transportadora aérea açoriana mais do que “generalidades”, sem identificar devidamente as causas para “os 200 milhões de euros que a SATA perdeu em dez anos”.

“Sem um bom diagnóstico não há um bom prognóstico”, vincou o deputado António Vasco Viveiros, que durante a audição do presidente do Governo dos Açores disse não encontrar “ligação” nem “relação” direta entre os prejuízos em anos recentes da transportadora e mais-valias económicas, por via da chegada de turistas de novos mercados aos Açores.

Ainda à direita, o chefe da bancada parlamentar do CDS/Açores, Artur Lima, pediu estabilidade para a empresa açoriana, que “não pode estar a mudar de administração de ano a ano”, e precisa de uma “reestruturação interna” que promova “gente capaz e competente”.

“A primeira reestruturação que tem de se fazer na SATA é com gente competente e capaz de levar a SATA a bom porto”, disse na comissão de inquérito ao setor público empresarial dos Açores, que ouviu hoje Vasco Cordeiro.

Pelo PPM, o deputado Paulo Estêvão mostrou-se dececionado pela “ausência de autocrítica”.

“Todas as pessoas cometem erros, ninguém é perfeito. E nesta matéria, no âmbito da SATA, é muito evidente que vossa excelência cometeu erros”, disse na comissão, dirigindo-se ao presidente do executivo açoriano.

O representante do PCP, João Paulo Corvelo, abordou o processo de alienação de 49% da Azores Airlines, entretanto interrompido, mas que terá um segundo concurso, para dizer que, para os comunistas, “a SATA deve continuar na esfera pública e deve ser uma empresa bem gerida, que deve aprender com os erros do passado”.

Já o Bloco de Esquerda (BE), pelo deputado Paulo Mendes, abordou as “rotas deficitárias” de anos recentes da transportadora aérea, advogando que “a SATA deveria ter sido devidamente compensada por esse esforço”.

O PS, partido que tem maioria absoluta no parlamento e que forma o executivo, sustentou que Vasco Cordeiro se apresentou em sede de comissão com “rigor”.

“Tudo o que foi perguntado dentro do âmbito da comissão foi respondido pelo presidente” do executivo, sublinhou o parlamentar Francisco César, que lamentou “generalizações abusivas, citações fora do contexto ou omissões de partes dos documentos” da parte de outras bancadas.

Aos jornalistas, no final dos trabalhos, Vasco Cordeiro sustentou que houve “partidos que entraram com uma ideia formada” na comissão, num “objetivo partidário e de ataque” ao Governo Regional e, “surpreendentemente”, também à SATA.

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