Opinião: Teófilo Braga | A propósito de plátanos

Quase todos os anos os plátanos são alvo de muitas conversas e são o tema de muitos textos publicados na comunicação social geralmente devido às denominadas podas camarárias ou radicais.

No final de 2022, a questão das podas voltou a ser abordada, nomeadamente pelo Núcleo Regional dos Açores da IRIS-Associação Nacional de Ambiente que denunciou as podas realizadas pela Câmara Municipal da Ribeira Grande, na Rua das Giestas, na freguesia do Pico da Pedra. A mesma associação e os Amigos dos Açores- Associação Ecológica também denunciaram a realização de obras que poderão pôr em causa a bonita Alameda dos Plátanos, no concelho da Povoação.

Neste texto, iremos disponibilizar algumas informações sobre os plátanos, nomeadamente sobre os mais comuns nos Açores.

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O plátano (Platanus acerifolia (Aiton.) Willd.), pertencente à família Platanaceae, é uma árvore de folha caduca, de crescimento rápido que pode atingir 35 m de altura euma longevidade de 300 anos, originária da Europa Ocidental.

O plátano que é cultivado em todas as ilhas dos Açores, segundo Virgílio Vieira, Mónica Moura e Luís Silva, é casual, isto é, pode surgir como escapada da cultura e, geralmente, sem capacidade de formar populações persistentes, nas ilhas de Santa Maria, São Miguel, Faial e Flores.

Desconhece-se, com rigor, a data exata da chegada dos primeiros plátanos aos Açores.

É conhecida a presença de plátanos no Jardim José do Canto, em 1856, através de uma lista elaborada pelo seu proprietário.

Sabe-se que no início da década de 50 do século XX houve uma plantação massiva nas bermas das estradas em São Miguel, havendo alguma contestação não pela presença da espécie em si, mas em defesa da diversidade de espécies a usar.

Ao contrário do que por vezes se pretende fazer crer, a plantação de plátanos sem sempre foi bem-sucedida. Com efeito, através de um texto de 1953, o autor menciona o seguinte: “Há 50 anos que assisto a sucessivos esforços para ladear de plátanos o troço de estrada que vai do Poço Velho de São Roque à Igreja: novas plantações, novas casotas de madeira, bem caiadas… Todos morrem! A água salobra mata-os? Ou o rocio do mar? Ou o péssimo terreno? Não sei. Mas em 50 anos só um resistiu, junto ao adro, raquítico, enfezado, moribundo.”

Não foi por mero capricho de uns poucos que os plátanos passaram a ser usados como árvores ornamentais. Com efeito, de acordo com António Saraiva, os plátanos proporcionam “uma agradável sombra e frescura (dado o rápido crescimento a árvore elimina por evaporação muita água, o que contribui para baixar a temperatura).”

A madeira clara e resistente pode ser utilizada em carpintaria, marcenaria ou como combustível. As folhas, a casca e os frutos foram outrora utilizados na medicina popular.

Como não há bela sem senão, há algumas pessoas que são alérgicas ao pólen dos plátanos.

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