Opinião: Rui Teixeira | Um péssimo campeonato

A discussão sobre o Orçamento Regional veio confirmar muita coisa. A primeira é que esta coligação está disposta a tudo para se manter no poder, mesmo que isso hipoteque o futuro dos Açorianos. É significativo que, para agradar à extrema direita de que está refém, o governo regional tenha reduzido drasticamente as verbas destinadas ao investimento em cada ilha. E isso num ano em que o investimento público era essencial! Desde menos 25% no Pico, 35% em São Miguel, passando pelos 40% em São Jorge, no Faial e Santa Maria, até 50% no Corvo, Terceira e Graciosa, ou atingindo um estrondoso corte de 70% nas Flores, cada euro a menos será o adiamento das nossas vidas, significará os Açores do futuro adiado. No campeonato do maior corte, todas as ilhas saem a perder, naquele que será um ano bem difícil e quando mais precisávamos de dinamizar a economia regional.

A quase total ausência de discussão em torno da Educação revelou bem o vazio de propostas dos partidos com assento parlamentar. E mostrou que, em particular, a coligação e o PS ainda não perceberam que os problemas da Escola estão fora dela. Estão na pobreza vivida por milhares de famílias, na fome que muitas passam, nos pais com horários de trabalho que não permitem estar com as crianças. Sobretudo, a maior origem dos problemas da Escola está no modelo económico em que apostam e apostaram a direita e o PS: nos baixos salários, para enriquecimento rápido dos grandes grupos económicos regionais.

Também é revelador que o presidente do governo regional tenha exortado a administração da EDA a negociar aumentos salariais, quando a região é a acionista maioritária da empresa e são bem conhecidos os volumosos lucros anuais. Ora, esses volumosos lucros, como se sabe, não têm revertido para quem os tem produzido: nos salários dos trabalhadores e na fatura dos clientes. Pelo contrário, têm sido distribuídos pelos acionistas… E a porta da negociação só foi aberta porque os trabalhadores saíram à rua, para exigir aquilo que é justo!

Mas aquilo que é mais revelador é que tanto a coligação de direita e extrema direita, como o PS se limitam às acusações mútuas sobre os desméritos dos orçamentos, os do passado e o do presente. E vão usando factos, ou seja, ambos demonstram que têm razão em criticar este e os anteriores orçamentos regionais.

E é neste triste campeonato para decidir qual dos últimos 27 orçamentos é o pior de todos que se vai escondendo que, no fundo, tem faltado no debate parlamentar uma verdadeira alternativa. E essa tem sido apontada pela CDU e pelo PCP: aposta na produção regional, valorização dos trabalhadores, investimento público, salários justos, trabalho estável, com direitos e horários dignos, investimento no serviço público de saúde, na educação e nos transportes. As propostas existem, mas estão fora da Assembleia Regional! Por lá, limitam-se a acusações inúteis, à ausência de respostas de fundo e a ver quem ganha este péssimo campeonato de qual é o pior orçamento de todos. E, neste péssimo campeonato, ficamos todos a perder…

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