Opinião: Rui Teixeira | Ódios à mostra, amores escondidos – 1.ª parte

A demissão de diretores dos Hospitais Públicos da Região deixou mais visível o desastre que é a coligação de direita e extrema direita. Mas este problema não é de hoje. O  desinvestimento no Serviço Regional de Saúde tem décadas e teve um ponto alto com os apoios públicos milionários ao Hospital Internacional dos Açores, começados pelo PS e continuados por esta coligação.

Este é um problema dos Açores e do Continente. E não é por acaso que em ambos os territórios há demissões e saídas em massa de médicos. É bom ter presente que tanto cá, como lá, isto resulta do desrespeito pelo trabalho dos médicos, enfermeiros e auxiliares, que tanto o PS, como a direita, já mostraram ter. É o resultado de milhões de euros dos orçamentos da Região e do estado que saem do serviço público para os grandes grupos que jogam no negócio da doença. São milhões que saem dos nossos impostos, e que são entregues direitinhos para os lucros desses privados, quando podiam ser colocados no serviço público de saúde, que presta cuidados melhores e mais baratos.

Desta situação, há duas conclusões a tirar. A primeira é que nem PS, nem PSD e seus parceiros de coligação, estão importados com a saúde dos cidadãos, preferindo assegurar os lucros dos negócios privados, deixando degradar os hospitais e centros de saúde, tanto cá, como no Continente, asfixiando-os com falta de verba. A segunda é que é urgente inverter esse caminho, valorizando o serviço público de saúde. E isso exige, como tem afirmado o PCP, dar condições de trabalho a médicos, enfermeiros e auxiliares, reconhecer o seu enorme mérito e dedicação – quantas vezes enfrentando dificuldades absurdas por falta de dinheiro para serviços básicos –, aumentar os seus salários e investir nas infraestruturas e em equipamentos médicos.

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Este amor escondido entre o PS e a direita também ficou à mostra na votação do orçamento do estado para 2023, do qual já se percebeu que nada virá de positivo. Muito pelo contrário, o que demonstra que o PCP teve razão, há um ano, em chumbar o tal orçamento que era o mais à esquerda de sempre ao mesmo tempo que tirava dinheiro para salários, saúde e educação.

O orçamento do PS foi aprovado com os votos contra da direita. Mas importa olhar para lá dos discursos inflamados, tantas vezes vazios, e tentar perceber o que está escondido entre as linhas. Porque, na sua sede para chegar ao poder, esta direita e extrema direita estavam obrigadas a chumbar o orçamento.

Por isso, é bom vermos o que chumbaram juntos o PS e a direita. Do PCP, os seus 6 deputados apresentaram mais de 400 propostas, 12 das quais sobre os Açores, apesar de não ter nenhum deputado eleito pela Região.

Foram quase 70 propostas por deputado, abordando todos os principais problemas do país e de todas as regiões, inclusive onde não tem qualquer deputado. Ora, essas 400 propostas foram todas chumbadas por uma coligação do PS com essa mesma direita. A exceção foram duas propostas sem qualquer efeito orçamental. De onde se podem concluir duas coisas: é que as soluções para os problemas do País e dos Açores não estão no PS; e, para a direita e para a extrema direita, este orçamento do estado não é mau o suficiente.

E, como já me alonguei, para a semana olharei para este assunto com mais pormenor.

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