Opinião: Rui Teixeira | Hiroshima, Nagasáqui, nunca mais!

Há 77 anos, nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, os EUA lançaram as duas únicas bombas nucleares, sobre populações civis. Nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasáqui morreram 250 mil seres humanos, um número semelhante à população dos Açores. As cidades foram destruídas e os efeitos das explosões nucleares ainda hoje se sentem.

A justificação para este ato foi milhares de vezes desmentida pelos factos, mas continua a ser propagada como se de uma verdade se tratasse: o Japão já estava vencido, a caminho da rendição. Este não foi um ato militar: foi um crime contra a Humanidade, um dos maiores alguma vez cometidos, e nunca deve ser esquecido. Serviu para mostrar ao mundo o poder militar norte-americano e dar início à chantagem nuclear, que ainda hoje continua.

Desde 1945, o número de armas nucleares multiplicou-se, bem como a sua capacidade destrutiva. São suficientes para destruir toda a vida do planeta mas, mesmo assim, os acordos de desarmamento nuclear foram rasgados pelos EUA, com o apoio da NATO. Aliás, os EUA são responsáveis por cerca de 40% dos gastos militares mundiais e a NATO por 60%. Estes são factos que o PCP e os movimentos de defesa da Paz não se têm cansado de denunciar. Em junho, uma manifestação em defesa da Paz juntou milhares de manifestantes, tendo a sua divulgação prévia passado ao lado dos telejornais…

Como tem exigido o PCP, é urgente que Portugal se pronuncie pela Paz e pelo desarmamento nuclear. Isso mesmo consta de uma proposta de resolução entregue na Assembleia da República, assumindo que “o desarmamento nuclear coloca-se como uma questão essencial para a salvaguarda da segurança e da sobrevivência da Humanidade.” Propõe-se assim a adesão ao Tratado de Proibição das Armas Nucleares aprovado na ONU em 2017. Veremos como se posicionam os restantes partidos.

Mas, infelizmente, num mundo em que os negócios mandam mais do que as vidas, a guerra dá lucro e a Paz prejuízo. A maior economia mundial, a dos EUA, é baseada na indústria do armamento e prolifera com a guerra e a violência. Isso ficou claramente demonstrado na 2.ª Guerra Mundial, na qual os EUA só entraram quando era certa a derrota da Alemanha nazi pelo exército Soviético. Ou como ficou demonstrado nas guerras na Coreia, no Vietname, na Somália, no Iraque, no Afeganistão, na Jugoslávia, na Líbia ou na Síria. Ou com o apoio a dezenas de golpes de estado. Ou com o armamento de Bin Laden, o seu soldado da paz e da democracia, como lhe chamaram os jornais norte americanos na década de 80, e de Saddam Hussein, seu aliado para conter as revoluções democráticas do Médio Oriente. Ou nas intimidações, chantagens e sanções a países que nunca os ameaçaram, nem militarmente, nem politicamente, como Cuba ou a Venezuela.

Em 2022, os EUA continuam a criar tensões e confrontos no Mundo. As recentes provocações à China são passos particularmente perigosos, usando Taiwan como um mero peão, sacrificável num macabro jogo de xadrez. Empurram o mundo para mais conflitos abertos, de grandes dimensões, que podem acabar numa guerra nuclear. Hoje, nos EUA, no Pentágono, defende-se o uso preventivo de armas nucleares! Por isso, 77 anos depois, é urgente honrar a memória dos 250 mil mortos em Hiroshima e Nagasáqui. É urgente eliminar todas as armas nucleares!

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