Opinião: Rui Martins | Turismo: diversificação da oferta e sustentabilidade

Foi este o tema das jornadas parlamentares que levaram o Grupo Parlamentar do CDS-PP à ilha do Pico.

Quando se fala de diversificação da oferta, é incontornável olhar as assimetrias das nove ilhas dos Açores. Estas assimetrias devem ser vistas, não como uma desvantagem, mas como uma oportunidade de oferecer um produto diferenciado.

É isso que encontramos no Pico. Uma ilha onde a aposta no turismo rural se mostrou diferenciadora. A paisagem da cultura da vinha, o histórico enquadramento das adegas e os produtos de valor acrescentado que daí advêm, são mais uma das imagens de marca do Pico. Este tipo de singularidade, que é possível encontrar em cada uma das ilhas do arquipélago, deve pesar na definição da estratégia a seguir.

Se pensarmos em enoturismo, estamos a falar de um segmento que pode ser potenciado, e não apenas na ilha do Pico. Esse nicho de mercado, que atrai quem se dá ao trabalho de vir experienciar um produto ao seu local de produção, terá que se apresentar como um sector organizado e com oferta. Interessa a existência de múltiplos produtores de bons vinhos e interessa também a existência de um bom serviço hoteleiro conexo, seja do ponto de vista gastronómico, seja do ponto de vista do profissionalismo do serviço prestado.

Assim, importa continuar a investir na formação, seja para capacitação ou redireccionamento de activos. Precisamos de mão-de-obra qualificada da mesma maneira que necessitamos de qualificar mão-de-obra.

Um dos aspectos indissociáveis à fixação de mão-de-obra, prende-se com o mercado de arrendamento. Cada vez mais é difícil encontrar alojamento a preços comportáveis, e por isso é importante que o Governo Regional dos Açores, prossiga e intensifique a política de investimento em habitação para o mercado de arrendamento ou para arrendamento com opção de compra.

Assim, quando se fala de sustentabilidade, não falamos apenas do ponto de vista ambiental, mas também da vertente social e económica. É importante e fundamental que os empresários açorianos consigam prosperar, e que, por conseguinte, possam manter postos de trabalho, bem remunerados, para que possamos todos suportar o aumento do custo de vida inerente ao turismo de qualidade (diga-se: que pague bem) que pretendemos para os Açores.

A diversificação da oferta torna-se por isso fundamental para garantir um mercado diferenciado, que permita um maior retorno económico com menor pressão turística. Por conseguinte, a potencialização das singularidades de cada ilha, através de estratégias de promoção que evidenciem o destino de natureza de excelência que é o arquipélago dos Açores e que destaquem as vicissitudes das assimetrias regionais, é o grande desafio com o qual nos continuamos a deparar.

Devemos, por isso, olhar para o que de mais singular cada ilha possui, e mostrar ao mundo a exuberante riqueza e requinte do “Destino Açores”.

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