Opinião: Rui Martins | Época atoleimada

Estamos a chegar ao fim da denominada “silly season”, ou assim espero… não tanto pela época do ano, uma vez que prezo muito ir a banhos, mas pelo teor de algumas notícias e muitos artigos de opinião.

Vi, ainda esta semana, depois de todo um périplo onde o Deputado Regional do Chega andou a mostrar ao “manda-chuva” do Continente a Região Autónoma dos Açores (que deu sempre mostras de que para ele não deve existir…), um requerimento em que se pede a lista das nomeações para os Gabinetes do Governo, e inclusivamente as nomeações que não foram alvo de concurso público.

Compreendo, e é legitimo, saber quem é que foi nomeado, apesar de ser informação publicada em Jornal Oficial, mas já na questão de nomeações sem concurso público é que só concedo por ser fruto da época… Cargos de nomeação, são de nomeação. Cargos públicos sujeitos a concurso, são sujeitos a concurso, a não ser que seja temporariamente e para não haver vazio de funções, e aí, lá se recorre a nomeações em comissão de serviço. Também se deve realçar que, em muitos destes casos, se se abrisse o concurso público, quem ocuparia os cargos seriam os que fizeram carreira neles apenas por afinidade político-partidária. Deviam-se garantir lugares dourados aos afilhados do passado ou do futuro?

Seria legitimo perguntar se os assessores parlamentares também foram colocados por concurso público… o que me leva a artigos de opinião, de ditos liberais, que põem em causa nomeações de adjuntos parlamentares, quando deviam olhar para dentro. Até porque, e no que concerne o CDS em particular, não tememos fazer meças curriculares entre os nomeados de cada um…

Para estes que agora leram uns livros de autoajuda e descobriram que são liberais, estranho esta embirração com o CDS, e daí talvez não, até porque um foi deputado pelo CDS e o adjunto é o único, muito recentemente autoanunciado (no último congresso do CDS), candidato à presidência do CDS no próximo congresso.

O CDS sempre foi a casa dos liberais. E quando ouço falar de medidas liberais com pendor social, isso chama-se CDS. Liberais, democratas cristãos e conservadores. Aliás, a democracia cristã é a que melhor representa os valores açorianos, de fé, de costumes, de tradição, de sociedade… mesmo para aqueles que depois votam no partido socialista ou noutros.

Por outro lado, não percebo algumas das críticas, como o ataque ao Vice-Presidente do Governo e Presidente do CDS, Artur Lima, a propósito de nomear pessoas que considerou terem potencialmente capacidade para determinada função, e depois as ter exonerado por considerar que não desempenhavam de forma adequada o cargo. Quando foram nomeadas, é porque eram seus “acólitos”, quando exoneradas, foi por perseguição política.

Da mesma forma, atoleimada, assim que viu umas cancelas num estacionamento da Lagoa do Fogo, apressou-se a dizer que o Secretário do Ambiente não tinha dimensão para o cargo que ocupava… sendo que a obra é da “Secretaria das Obras Pública”. Tinha-lhe ficado bem confirmar este tipo de informação, para afinar o azimute, e dirigir a critica ao departamento certo, ou então, reconhecer o erro e, porque não, pedir desculpas. De qualquer forma, isto acontece, porque ao contrário do que costuma dizer que “os deputados não estão para acatar pareceres de interesses”, apresenta resoluções de urgência para definir tudo e mais alguma coisa, na Lagoa do Fogo… ideias tiradas a papel químico de coletividades com interesse na matéria.

Uma coisa é certa: tendo em conta os novos fluxos turísticos, a Região tem que ter capacidade para se adaptar, regular, monitorizar, acompanhar, disciplinar, proteger e salvaguardar o seu património natural.

Neste momento, temos que ter capacidade de desenhar soluções que protejam aquilo que é o papel fundamental da Lagoa do Fogo, que é, para além de toda a sua beleza e exuberância, ser um reservatório de água potável para os maiores aglomerados populacionais de São Miguel.

E quanto aos editoriais que se afligem com as verbas em causa, devo dizer que da mesma maneira que se gastou 1 milhão de euros na Casa da Montanha para regular o acesso à Montanha do Pico, ou quatro vezes mais para o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, será necessário criar uma forma de dar dignidade a quem chega àquele espaço, demonstrando a importância que a Região lhe confere e regulando o acesso aos trilhos.

Pode dizer-se que há muitos acessos à Lagoa… mas também há vários para a Montanha do Pico, bem como para o Vulcão dos Capelinhos. A realidade tem demonstrado que estes investimentos anteriores, trouxeram maior controlo. Dizer que há muito onde se aplicar este tipo de verbas, é o mesmo que fazer belos discursos a enfatizar que temos que preservar a nossa maior riqueza, o património natural, e depois acreditar que ao dizê-lo, está o problema resolvido!

 

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