Opinião: Patrícia Miranda | Não quero esta vida para os meus filhos”

Lê-se numa notícia de um jornal local.

Houve tempos em que seguir as pisadas dos seus pais, em que dar continuidade ao legado da família, no ramo da Agricultura, era motivo de orgulho e de esperança.

Hoje em dia, quando um jovem diz que quer ser agricultor como os seus pais, isso representa muitas vezes medo, angústia e incerteza na família.

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“Que futuro os meus filhos vão ter? Não quero esta vida para os meus filhos!”, são frases que, infelizmente, muito se têm ouvido nos dias de hoje.

Os custos de produção (gasóleo, rações, fertilizantes, por exemplo) sobem todos os dias, é cada vez mais difícil encontrar mão de obra, cada vez mais difícil rentabilizar o negócio. Entre muitas outras, são dificuldades que um jovem agricultor terá de enfrentar.

Há quem diga mesmo que a Agricultura nos Açores está em risco. E está em risco porque espera-se perder mais explorações de agricultores que se aproximam da idade da reforma e que não têm ninguém a quem passar a sua exploração.

É preciso estratégias e incentivos para os jovens se integrarem no setor.

E, é aí que se torna imperativo trabalhar.

É preciso trabalhar em medidas de atração para os nossos jovens agricultores, é preciso dar esperança e segurança a um setor que se apresenta cada vez mais envelhecido, porque o ciclo de vida de uma exploração agrícola aproxima-se muito do ciclo de vida do próprio produtor.

Isto é: durante o estabelecimento da exploração agrícola, os objetivos são a maximização do rendimento e a captação de oportunidades de crescimento, seguindo-se a expansão e a consolidação e, por fim, a saída ou o desinvestimento.

Nesta última fase, deveriam desenvolver-se dois processos importantes: a reforma e a transferência da exploração entre gerações. Mas para isso é preciso investir nos jovens!

Mas o que verificamos, com este Governo Regional, é a uma falta de medidas diretas para incentivar os nossos jovens a fixarem-se no setor. E isso fica claro pela quantidade de vezes que o plano e orçamento para 2023 faz referência aos jovens agricultores: NENHUMA.

Este Governo acredita tanto nas suas políticas, acredita tanto no futuro da agricultura, que nem referência faz aos jovens Agricultores, o futuro da Agricultura.

É um erro, uma incapacidade e uma falta de estratégia não apostar nos jovens.

Essa incapacidade é evidenciada, no dia a seguir à aprovação do Plano e Orçamento Regional para 2023, quando o Presidente do Governo, na inauguração do VIII Concurso Micaelense da Raça Holstein-Frísia de Outono, em vez de apresentar medidas deste governo para este setor, prefere anunciar medidas da República, como o apoio ao gasóleo agrícola de 10 cêntimos por litro.

Mais uma prova que o Plano e Orçamento para 2023, aprovado pela coligação, é um mero documento vazio e desprovido de benefício para os nossos Agricultores.

É mesmo caso para dizer que com este Governo, a Agricultura dos Açores não tem futuro: está a ficar para trás.

A Agricultura Açoriana merece estratégia, para que os nossos jovens possam ter confiança e perspetivas de futuro, para que todos os pais se possam orgulhar e confiar no futuro dos seus filhos, quando estes lhes disserem que querem ser agricultores.

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