Opinião: Patrícia Miranda | E para os Agricultores Açorianos? Migalhas!  

Encheu o peito o Sr. Presidente do Governo Regional para anunciar, em conferência de imprensa, medidas de apoio às famílias e às empresas Açorianas para que estas pudessem fazer face à crise inflacionista.

Foi gerada uma expetativa de que “agora é que era”, mas como se costuma dizer “vai-se a ver e nada”.

Confesso que alimentei uma esperança de que o Governo se tivesse lembrado e reconhecido as dificuldades que o setor atravessa e fosse anunciar algum novo apoio para atenuar os encargos com os aumentos nos custos de produção. Mas, ao que que parece, a comparticipação da compra de sementes de milho e de pastagem já faz prova da “solidariedade deste Governo”.

PUB

A Agricultura é o maior pilar económico dos Açores. Gera valor acrescentado e bens transacionáveis, como os produtos lácteos e derivados, as carnes, as hortofrutícolas, o mel, os vinhos ou as flores, por exemplo.

Nestes momentos de incerteza, em que a inflação sobre combustíveis, rações e fertilizantes parece ser galopante, o Governo Regional não se pode demitir da sua responsabilidade de apoiar este setor.

E o que verificamos é que, perante este gigante, o Governo Regional permanece adormecido, incapaz de dar as respostas certas ou de aplicar medidas eficazes.

A Região tem que se chegar à frente com medidas específicas, cabais e robustas de apoio ao setor primário nos Açores. Estamos a falar do rendimento de muitos Açorianos e se esse rendimento desaparecer, isso poderá levar ao colapso do setor e de toda uma cadeia de valor, gerando uma crise socioeconómica sem precedentes na Região.

No início de 2022 o Sr. Secretário Regional da Agricultura prometeu ajuda aos Agricultores, dizendo que “o Governo iria criar um apoio transitório ao aumento dos custos de produção até que o mercado corresponda”. Reforçou, dizendo que “o Governo existe para isso, para acautelar o rendimento das pessoas, neste caso dos Agricultores”.

Após muitas queixas, reparos e alertas, pelas entidades do setor, pelo Conselho Social e Económico dos Açores, através de reivindicações de vários partidos políticos, não apenas do PS, este apoio lá chegou: tarde, curto e apenas para alguns!

Foi preciso um ano para concretizar o apoio anunciado e, mesmo assim, com escassos resultados práticos.

De fora deste apoio ficaram, por exemplo, os pequenos produtores, não elegíveis na portaria. Ignorados ficaram os pequenos produtores de hortofrutícolas, de mel, de vinhos ou de flores, também eles a atravessar dificuldades com os aumentos dos custos de produção. Os Agricultores Açorianos estão entregues à sua sorte e esquecidos por este Governo.

O tempo deste Governo não é o tempo dos Agricultores. Quando os Agricultores mais precisam de apoio, não se pode demorar um ano a reagir. E se a crise se agrava de dia para dia, não se pode demorar mais outro ano ainda a reagir, de forma débil.

O setor Agrícola Açoriano deve ser acarinhado e protegido. E o que lhe reserva este Governo Regional? Migalhas. Ou pouco mais que isso.

Pub