Opinião: Patrícia Miranda | Agricultura Biológica: escolha ou obrigatoriedade?  

Nesta sociedade em permanente mudança, surgem diariamente novos conhecimentos científicos e tecnológicos que melhoram a qualidade de vida das pessoas.

No entanto, esse desenvolvimento e conhecimento provoca, por vezes, problemas de natureza ambiental e levanta uma crescente preocupação com as questões da segurança alimentar.

A agricultura biológica, enquanto sistema protetor do ambiente é considerada uma importante área de intervenção, constituindo uma alternativa à agricultura tradicional.

O apoio à agricultura biológica na União Europeia tem crescido continuamente nos últimos anos. Tem-se verificado que a área de produção biológica duplicou desde 1992 e espera-se que continue a crescer.

E os Açores acompanham, naturalmente, essa tendência. Em 2016 existiam na Região 84 agricultores em modo de produção biológica e a explorar uma área de 667,5 hectares. Em 2020 eram já 140 produtores a explorar 1.240 hectares e nos dias de hoje, produzindo nas 9 ilhas, contamos com 184 produtores biológicos, que ocupam mais de dois mil hectares de área.

É fácil comprovar o trabalho que vinha sendo feito há anos e não fica mal admitir que foi o governo anterior, sustentado pelo Partido Socialista, que implementou o Plano Estratégico para a Agricultura Biológica. Seria mais sério do que reclamar para si “extraordinários sucessos”, querendo apagar o que de bom se fez no passado, tal como muitas vezes o Governo da coligação gosta de fazer.

A Agricultura Biológica tem um forte potencial de atração de novos e jovens Agricultores, que para além de contribuir para a nossa segurança e soberania alimentar, contribui para a coesão territorial e para a fixação de pessoas nas zonas mais rurais.

Ao Governo Regional cabe munir os Agricultores de ferramentas que os ajudem a trilhar um caminho na vertente biológica, caso assim o desejem. O que não pode acontecer é que os Agricultores se vejam ‘empurrados’ a alterar o seu modo de produção devido aos brutais aumentos no custo dos fatores de produção, especificamente nos fertilizantes, que começam a ameaçar inviabilizar as práticas agrícolas tradicionais.

Defendemos que aos Agricultores Açorianos deve ser dada a opção. Ou entendem abraçar o modo de produção biológica, ou optam pela Agricultura tradicional.

A entrada na Agricultura Biológica não pode é ser um último recurso. Deve ser uma opção livre e não uma obrigatoriedade.

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