Opinião: O PS ganhou! E agora?

Agora, parafraseando o meu amigo Jorge Macedo, é tempo de percebermos se temos Estadistas na Região.

E continuando a parafrasear: “Estadistas não assaltam o poder, nem se arrogam donos da vontade do povo.” A “bola” está, por enquanto e à data que escrevo, na posse de Vasco Cordeiro. Porquê? Pelo simples facto de ter sido essa a vontade dos eleitores. Os eleitores escolheram, maioritariamente, depositar o seu voto no PS e em Vasco Cordeiro.

Tenhamos, todos, bem presente que o PS venceu em 7 das 9 ilhas; venceu em 12 dos 19 concelhos e venceu ainda em 101 das 156 freguesias dos Açores! Tenhamos, ainda, em atenção o facto de ter sido a 7.ª vitória consecutiva do PS em eleições regionais.

Portanto, não se pretenda transformar a vontade do Povo, a qual vem sendo expressa no mesmo sentido desde 1996, numa coisa contrária à realidade. E a realidade é que o PS, ainda que tenha obtido menos votos e mandatos do que seria expectável face aos indicadores vindos a público, ganhou as eleições! Como tal, será Vasco Cordeiro a ser empossado Presidente do Governo dos Açores e sobre quem recai a responsabilidade de, em sede de Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, conseguir os apoios necessários à aprovação (ou não rejeição) do respetivo Programa do Governo.

E será esse o momento – independentemente das horas ao telefone; das reuniões em diversas sedes partidárias; das viagens efetuadas; das negociações ou negociatas; dos ódios mais ou menos contidos; das promessas reais ou mesmo impossíveis; da primazia do eu ou do nós; etc.. que tenham existido nos dias e semanas anteriores – em que o Povo Açoriano verá, sem margem para quaisquer dúvidas, se há Estadistas nos Açores.

A questão que tem feito correr mais tinta diz respeito a aritmética ou matemática para aprendizes. O lado da esquerda tem x mandatos. O lado da direita tem y. Ora, com o devido respeito por quem tem perdido tempo a fazer contas destas, estamos num campo em que 2 mais 2 não são 4.

Em que se coloca, por exemplo, de forma errada, ou pelo menos precipitada, o PAN ao lado da esquerda ou a Iniciativa Liberal ao lado da direita. O momento atual na política Açoriana não é, por isso, para contas de somar ou sumir.

O tempo é de responsabilidade, verticalidade, princípios éticos inatacáveis, bom senso e muita ponderação na busca da melhor solução possível e exequível que garanta estabilidade, segurança e futuro aos Açores. Vai daí, não percebo, confesso, como se pode, nas tais contas de somar (ou sumir) para apurar de que lado estão mais “espingardas”, insistir em querer juntar 2 cálices de azeite num copo que já terá que ter 3 ou 4 tipos diferentes de água. Qualquer comum dos mortais sabe da impossibilidade de tal junção.

Os Estadistas não só sabem disto, como também têm perfeito conhecimento que o azeite é uma sustância hidrofóbica, isto é, que repele a água. Ora, deixando de lado a metáfora que nos socorremos e indo direto ao assunto, qualquer solução que envolva o Chega terá um custo incomportável para o Estado de Direito que conhecemos.

Acredito, por isso, que nenhum putativo Estadista caminhará por aqui… sob pena de mais à frente ser alvo de um processo de evaporação da água!

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