Opinião: Miguel Simas | Santa Clara. Outra vez eleições!!!

Os períodos eleitorais para os Órgãos Sociais de qualquer instituição, no final dos mandatos e principalmente se existir mais do que uma lista, são sempre muito enriquecedores pois que, levam os sócios a constituírem Listas, compostas por um relativamente grande número de pessoas que se propõem a analisar mais de perto os problemas existentes, a equacioná-los para a sua resolução e a programar novas ações e ou tarefas que julguem mais adequadas para o desenvolvimento e consolidação da Instituição a que pertencem.

Também têm os seus senãos pois que, os candidatos para imporem as suas ideias, escarafuncham nas mazelas da instituição em causa, acusando o que de mal foi feito e o bem que o não foi e deveria ter sido, trazendo ao de cima os podres existentes.

Mas pior do que isso, são as meias verdades e até mesmo as mentiras, que são largamente propaladas, tendo eco nos meios de comunicação social e que levam os sócios, impressionados mais pelas aparências do que pela razão, a votar em gente que, de seguida vai fazer o que menos esperavam.

No passado mês de março, na sequência do final do segundo mandato da direção presidida por Rui Cordeiro que tinha como presidente da assembleia geral Ricardo Viveiros Cabral, abriu-se um processo eleitoral no Clube Desportivo Santa Clara, sob a égide deste último, como estatutariamente lhe competia.

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Os sócios do Clube mobilizaram-se acabando por concorrerem duas listas, a A e a B, realizando-se as eleições no dia 18 de maio, que ditou a vitória com larga maioria para a Lista A, representativa da evolução na continuidade, pois que os principais figurantes já vinham do mandato anterior.

O presidente da Assembleia Geral, a quem competia a condução do processo eleitoral devia tê-lo feito com sentido de responsabilidade e imparcialidade até porque, para além das funções que estava empossado, era parte interessada no pleito, ao aceitar a sua recondução pela Lista A, para aquelas funções.

Iniciado o processo, cedo se verificou que o árbitro iria inclinar o campo para o seu lado. Começou com a cena do “apagão” no sistema de controlo de sócios e cobrança de quotas que, disse ele ter posto fim, indo lá abaixo (da sede Comandante Jaime de Sousa para a Galerias Lima 5) e ter dado um murro na mesa!

Solicitado pela lista B a relação de sócios com os respetivos números, contatos telefónicos e ou emails, apenas forneceu lista com o nome dos sócios e respetivos números, alegando a Lei Geral de Proteção de Dados para não fornecer os contatos dos sócios.

Ora se estamos perante uma associação sem fins lucrativos, os sócios ao inscreverem-se fornecem uma série de dados pessoais, nome, idade, residência, etc, e modo de serem contactados (telemóvel, telefone ou mail), a fim de se lhes enviar mensagens e ou comunicados de interesse comum, dos sócios e do Clube, incluindo o envio das convocatórias e desconvocatórias, caso as hajam, das Assembleias Gerais.

Pergunta-se: então não seria importante uma informação pessoalmente dirigida aos sócios para terem conhecimento da existência das duas listas concorrentes aos Órgãos Sociais do seu Clube e dos respetivos programas, a fim de lerem analisarem e escolherem o que de melhor achassem para o seu Clube?

Verificado que foi, a Lista A utilizar os meios que foram negados à Lista B, e sendo apresentada queixa por email ao Sr. Presidente da Assembleia Geral, Dr. Ricardo Viveiros Cabral, nem se dignou responder.

Como responsável máximo do Clube que, detendo 40% das ações de uma SAD, durante dez anos nunca recebeu um cêntimo de dividendos e tendo cedido os seus direitos desportivos para a inscrição da SAD na Liga e implicitamente o direito de receber o milhão do Governo Regional, recebeu zero. Cedeu também a utilização da sua sede e dos seus símbolos também quase a custo zero. Todavia, nas AG’s do CDSC, da SAD, só os assuntos que potenciavam a euforia interessavam abordar. As questões sérias e delicadas, mesmo que colocadas por escrito, não só eram logo neutralizadas como nem os documentos entregues foram apensos às atas.

Mas as cenas rocambolescas deste final de agosto, em que inexplicavelmente Sua Exa. continuou a defender o seu “Delfim”, fazendo com que o Clube batesse no fundo, conduzi-lo-ão, muito provavelmente, ao estatuto de pior Presidente da Assembleia Geral da história do Clube Desportivo Santa Clara. Senão vejamos:

Teria vergonha de ser Presidente da Assembleia Geral de um Clube, cuja Direção metesse um processo no Tribunal, contra vários sócios bastante antigos e de quotas sempre em dia, muitos deles avalistas das dividas iniciadas no Clube, alegando a venda “fraudulenta” de ações, e de nada ter feito na defesa desses associados!

Em meados de agosto quando se começou a falar no despedimento com justa causa do presidente Rui Cordeiro e do seu terra-tenente Gualter Câmara, da Administração da SAD, que também desempenhavam funções de presidente da direção e vice-presidente no Clube, foi feita uma reunião dos órgãos sociais do Clube onde aqueles dois garantiram que se fossem corridos da SAD não se demitiriam do Clube.

No passado dia 27 de agosto (dia D), havendo uma Assembleia Geral da SAD tão importante, como é que lá compareceram, e bem, em representação do Clube, os Senhores vice-presidentes Palma Rolim e Paulo Borges e, em simultâneo, um Senhor advogado de Lisboa com uma carta mandadeira assinada pelo Rui Cordeiro e pelo Câmara, a darem-lhe plenos poderes para representar o Clube nessa A.G. tão importante!

Depois do Presidente do Conselho Fiscal, Mário Félix ter despertado para a realidade ao não querer ser reconduzido na última Lista de Rui Cordeiro, foi a vez do Consócio Virgílio Paz Ferreira, Presidente Adjunto de Rui Cordeiro ter vindo a público denunciar factos impensáveis de acontecerem no Clube Desportivo Santa Clara.

Não deixa de ser pertinente referir que este tipo de factos e de práticas, há muito que têm vindo a ser denunciadas por alguns sócios e, inclusive na última campanha eleitoral, foram elencados e manifestada a respetiva critica. Infelizmente a “euforia do resultado” foi servindo de cortina de fumo e todo um “projeto de renovar confiança”, não passou de uma triste ilusão vendida aos sócios.

Na reunião da sexta feira, dia 27, à noite, do que restava dos Órgãos Sociais, já que o Rui e o Gualter, para se ajeitarem à indemnização que há muito negociavam, foram obrigados a pedir a demissão dos cargos que detinham no Clube, foi triste saber-se que o Dr. Ricardo Cabral, quando ainda nem decorridos cem dias de mandato e dispor de um presidente adjunto bastante apto, não ter investido na continuação daquela Direção com os elementos restantes!

Pelo contrário, investiu forte no termo “solidariedade”, defendendo até ao fim o seu “Delfim”, apontando inequivocamente para a demissão de todos, e na constituição de uma Comissão Administrativa na qual ele também tem assento. Pudera!

Finalmente, de forma bastante precipitada, convoca uma Assembleia-Geral Eleitoral Extraordinária com um único ponto: Eleição dos Órgãos Sociais do Clube Desportivo Santa Clara, a realizar-se uma semana antes das eleições do Benfica, ou seja, para o dia dois de outubro próximo.

Se o Covid deixar, claro está!

Resta-me fazer votos para que surgem novos protagonistas, nas ideias e na idade, para dirigir o CDSC, que respeite os sócios e que melhore as condições de funcionamento das modalidades existentes e crie condições para a implementação de outras, não esquecendo de fazer uma gestão exigente junto da Santa Clara Açores Futebol SAD, a quem lhe deu a vida e na qual detém 40% do seu Capital.

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