Opinião: Joaquim Machado | Subsidiar ou Não?

A escassez de recursos humanos é quase uma fatalidade nos espaços insulares, principalmente em se tratando de ilhas de pequena dimensão territorial e humana. Mais ainda se forem ultraperiféricas, como os Açores, e no contexto de um país com incontáveis vulnerabilidades.

Isso não significa, no entanto, que se deva baixar os braços, desistir do provimento de técnicos e especialistas em todas as áreas, particularmente nas mais sensíveis e estruturais como são as da saúde e da educação.

Não ignoro que qualquer governo no exercício das suas funções tudo faça, ou quase tudo, para garantir tais recursos humanos, conforme as suas capacidades financeiras. Isto é válido hoje, como foi ontem.

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Independentemente do mérito e dos defeitos de quem governou ou governa a Região, todos concordamos quanto à insuficiência de meios médicos e de enfermagem em todas as ilhas, mesmo nas ditas grandes, que afinal são pequenas quando toca a recursos.

A captação de novos médicos, tal como de professores, é um dos maiores desafios desta década e, por isso mesmo, não pode deixar ninguém indiferente ou fora da solução. Digo ninguém, bem entendido, com responsabilidades públicas.

Uma revista nacional noticiava por estes dias o que muitos autarcas estão a fazer para fixar médicos nos seus concelhos. Em quase todos os casos asseguram habitação gratuita, mais um conjunto de condições muito atrativas para quem valoriza a qualidade de vida que não se encontra nos grandes centros urbanos.

Nos Açores o recrutamento de médicos e técnicos de saúde é entendido como responsabilidade única do Governo Regional. É pena que assim seja. Se outros se juntassem a esta tarefa os resultados seriam diferentes, para melhor. Entre toda a sorte de subsídios concedidos pelas nossas autarquias que prioridade é conferida à saúde?

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