Opinião: Joaquim Machado | Se ele…

O tempo parece efémero no poder e um calvário em se estando na Oposição. Daí a aflição de Vasco Cordeiro.

Passados 20 meses, o PS não percebeu, e muito menos aceitou, que perdeu politicamente as eleições e deixou de ser governo. Por mais que Vasco Cordeiro diga que aprendeu com a sua derrota política, o dia-a-dia do PS na oposição prova o contrário. Aliás, que crédito pode ter quem precisou de perder o poder para reconhecer os erros da governação? Corrigir a trajetória antes do descarrilamento só está ao alcance de gente notável.

E os socialistas afundam-se numa estratégia que hesita entre um desbragado populismo e a irracionalidade dos meios que reclama.

O descaramento político vai ao ponto de considerarem que o governo da Coligação demora a resolver problemas que o PS não ultrapassou em 24 anos. Se era fácil e urgente resolver por que não o fizeram em 24 anos? Foi muito tempo perdido e isso os açorianos não esquecem.

Sabemos que se Vasco Cordeiro continuasse a ser presidente do Governo, o IRS não tinha baixado. Os professores não tinham direito à compensação pela caducidade dos seus contratos. A tarifa Açores nunca teria sido criada. Continuariam a ser gastos 10 milhões de euros para transporte sazonal de passageiros, com taxas de ocupação inferiores a 20 por cento. A Sinaga prosseguia na acumulação de prejuízos. Se fosse Cordeiro a mandar, não haveria isenção de pagamento nas creches para mais de duas mil famílias. A SDEA continuaria a dar guarida a camaradas, que auferiam mais de cinco mil euros mensais. A SATA agonizaria. As carreiras técnicas superiores no setor da Saúde não seriam revistas. E os trabalhadores da RIAC mantinham-se sem direito a suplemento remuneratório.

Até Sérgio Ávila voltaria a dizer-nos que as contas da região tinham superavit. E assim por diante.

 

Pub