Opinião: Joaquim Machado | Reis e Tesouro

Tradicionalmente, o Natal açoriano prolongava-se até ao Dia de Reis – só depois os alunos voltavam à escola, se retiravam as decorações da quadra e desfaziam os presépios (em muitas casas mantidos até à Senhora das Estrelas).

Nas igrejas, o dia da Epifania era celebrado em honra da realeza do Menino e dos santos gentios que o presentearam com ouro, incenso e mirra.

No tempo que corre, tal tradição desvaneceu-se, embora aqui e ali sobrevivendo com pequenos cortejos de Reis, mais etnográficos do que religiosos, emergindo em seu lugar os festejos da passagem de ano e o consequente consumismo.

PUB

Bom, ainda não terminara a azáfama da troca de ofertas e eis que a trupe reinante nos presenteava com mais um tesourinho à socialista – no sapatinho do laico cai a melhor prenda, dirão os mais crentes; ao Primeiro-Ministro saiu a fava do bolo-rei, lamentam os apaniguados que lhe são próximos.

Como se não bastassem nove demissões, em outros tantos meses de governação, entre brindes e festejos, ficámos a saber que não é de agora a vocação da dra. Reis para o Tesouro. A propensão tem o seu tempo e como os gentios, também guiada por uma estrela, foi fazendo caminho, currículo e fortuna, em apeadeiros públicos, até à gruta da governação. O contribuinte pagou a fatura, mas isso é o que menos importa na revelação celestial, para ser mais rigoroso, neste voo palaciano.

À maneira de Herodes, surpreendido pela notícia, o dr. Costa exigiu aos subalternos da corte informações sobre o caso, como se tudo isto fosse assunto de terceiros. E, não tarda nada, vai sentenciar os inocentes, mandando decapitar toda a opinião que o implica na nomeação de Alexandra Reis para o Tesouro do Estado.

Ingrata plebe: com 240 euros de subsídio no bolso e ainda se esfalfa a invejar o tesourinho dos “eleitos”.

Bom Ano Novo.

Pub