Opinião: Joaquim Machado | Professores e milhões

Mais de 320 professores passarão à reforma até 2024. E outros a eles se juntarão por circunstâncias da própria vida.

A necessidade de docentes não era novidade para ninguém, principalmente para quem governou os Açores nos últimos 24 anos. Os dados estavam disponíveis na secretaria regional que tutela o setor da educação. Bastava botar sentido à idade dos professores e educadores para ter estes números. Depois, lançar medidas para evitar o problema que hoje temos e que se vai agravar nos próximos anos. Sim, a falta de professores será maior e mais dramática lá para o final da década. Por mais que se faça hoje, a formação de um professor demora, pelo menos, cinco anos. E importa motivar os futuros alunos universitários para a carreira docente. De contrário, teremos um problema bem mais grave do que a regressão demográfica e o consequente despovoamento, porque sem formação jamais seremos uma Região desenvolvida e apetecível para aqui se viver.

O exercício da docência foi vilipendiado nas últimas duas décadas, pelos governos dos Açores e da República. O congelamento das carreiras e os cortes salariais não foram os únicos ataques à classe docente. A perda de autoridade, a sonegação de direitos laborais, a degradação do prestígio social, a sobreposição da burocracia ao ato de ensinar, o desrespeito público, tudo isso desiludiu os profissionais da educação e afastou do sistema os potenciais novos professores.

Aqui chegados, o cenário assemelha-se aos anos 70. É verdade, estamos a regredir. Voltamos a ter nas salas de aula “professores” sem habilitação profissional e mesmo sem habilitação própria (que não dispõem de licenciatura na área em que ensinam).

São precisas medidas urgentes. E não faltam ideias e soluções. O problema mesmo é os 3.500 milhões de euros da dívida regional.

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