Opinião: Joaquim Machado | Outro postal de Natal

O meu primeiro computador foi uma prenda de Natal, há precisamente 37 anos. Tinha 48k de armazenamento, ligava-se ao monitor do televisor e recorria a um gravador de cassetes para armazenar pequenos programas. Num ápice, os computadores evoluíram para máquinas sofisticadas, no grafismo, na velocidade, no armazenamento, na portabilidade. E eu fui gostando e dependendo cada vez mais desta máquina. Seguiu-se o telemóvel, depois o tablet e a fusão dos três com as máquinas fotográficas e as câmaras de vídeo, até chegarmos aos relógios inteligentes. E eis-nos no tempo profetizado por Toffler, na era das comunicações à distância, da robótica e domótica, do teletrabalho, da produção individualizada, do dinheiro virtual. Ultrapassámos, em quase tudo, os cenários mais excêntricos da ficção científica de há três, quatro décadas, com tudo o que isso implica.

Rendi-me a estas maravilhas, às suas potencialidades, ganhos de tempo e produtividade. Seria muito difícil, impossível, voltar atrás. O software transforma em texto aquilo que dito para o telemóvel, em qualquer lugar, e continuo esse trabalho no computador de casa, escrevendo ou voltando a ditar. Já só leio jornais em formato digital e troquei o papel pelo tablet, onde registo tudo, manuscrito ou impresso. E muito raramente uso moedas e notas para fazer pagamentos. Sou, portanto, dependente do digital, ainda que raramente faça uso as redes ditas sociais.

Mas tenho saudade do Natal pré-digital, da alegria de receber um postal, vindo de longe, de amigos e familiares ausentes, que assim expressavam a vontade de connosco estarem. E do gosto de retribuir esses desejos sinceros, comprovando que na amizade não há longe nem distância. Hoje, um clique impessoal faz chegar um postal digital a dezenas ou centenas de destinatários…

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Santo Natal.

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