Opinião: Joaquim Machado | Jotinhas em punho

Nada tenho contra as juventudes partidárias. Sei por experiência próxima o que valem na formação da consciência cívica dos mais novos e na consolidação dos princípios do pluralismo democrático. Do mesmo modo, não ignoro que muitas vezes se transformam em rampas de lançamento para ambições pessoais precocemente despontadas. Na equação de uma e outra coisas, opto por valorizar o contributo positivo que dão à nossa Autonomia, e sempre que possível e conveniente aponto caminhos para corrigir as imperfeições.

Digo isto em jeito de introdução a propósito de um outdoor lançado pela Juventude Socialista. Conheço o novo líder da organização e admito, sem reservas, as boas intenções que o animam. Mas o voluntarismo e entusiasmo, próprios de quem chegou ao cargo e se sente capaz de virar o mundo ao avesso, necessariamente são limitados pela história e pela coerência – vá lá, no mínimo por alguma honestidade intelectual.

Afora o mimetismo estratégico de comunicar em rotundas e vias de grande circulação, como faz o dr. Cordeiro, o que não é propriamente uma virtude, os jotinhas socialistas tomam em punho três bandeiras (em técnica comunicativa um desastre; a um cartaz deve corresponder uma ideia), a saber, o fim da precariedade, mais habitação e combate às dependências.

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Trajar de bibe não impede reconhecer o combate à precariedade levado por diante nos últimos dois anos, por exemplo, com a redução dos programas ocupacionais ou o ingresso nos quadros de muitas centenas de professores, deliberadamente impedidos pela governação socialista de acederem a uma carreira estável. Nem que a habitação ficou para trás, anos a fio – ainda há por aí placas a prometer urbanizações que não passaram de intenções. E que o combate às dependências foi intenso nos subsídios e parco nos resultados…

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