Opinião: Joaquim Machado | Insulto

Vai um corrupio na praça, nunca visto, até parece que o povinho se encaminha para as urnas dentro de dias. Bem se sabe que alguns tinham essa velada esperança, voltar ao poder sempre esteve nos seus horizontes e previsões. Mas quem falhou tantas vezes, mesmo no que era evidente e previsível, mais propensão tem para se enganar quando o discernimento escasseia. E o tempo é implacável nestas coisas.

Passado o período agitado para a aprovação do Orçamento, com negociações, elogios e impropérios à mistura, esperava-se que o tino voltasse a certas cabecinhas, que se moderassem os ânimos, que houvesse racionalidade e, já agora, alguma decência, predicados que, afinal, não estão disponíveis para este combate político. É vê-los na insinuação, na meia-verdade, no recurso a habilidades de feira, à cata de uma falha, por mais insignificante, famintos de desgraças, das quais se alimentam no jejum da governação.

Repito. Na política não pode valer tudo. O episódio da alegada dívida contraída pelo Governo da Coligação exemplifica o despudor socialista. Vasco Cordeiro devia reservar o que ainda lhe sobra de dignidade institucional, pelo exercício de um cargo que lhe foi retirado pelos eleitores, dito de outro modo, não se prestar à vilania política a troco de uns circunstanciais aplausos da sua frágil e desmembrada bancada parlamentar, de quem no primeiro instante de aflição ou mudança lhe virará as costas. Na oposição é quase sempre assim. O futuro do PS não será muito distinto da história social-democrata. Os protagonistas são outros, mas o contexto e as motivações muito semelhantes…

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Impingir um valor da dívida sabendo, ou devendo saber, que só no fim do ano se contabiliza a sua real dimensão, por via das amortizações, entretanto consumadas, é um insulto à verdade e à inteligência do eleitor.

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