Opinião: Joaquim Machado | Emprego recorde

Nunca os Açores tiveram tantas pessoas empregadas. Os últimos dados apurados apontam para mais de 117.100 açorianos com emprego.

Este recorde absoluto regista-se numa conjuntura adversa, isto é, ainda sob os efeitos da pandemia, a que se juntou o impacto da guerra e da inflação que com ela se agravou. Não fossem tais dificuldades objetivas e provavelmente estaríamos em pleno emprego. Aliás, pouco falta para que assim seja.

Para trás ficaram os anos de níveis de desemprego verdadeiramente dramáticos – não podemos esquecer 2013, com uma média anual superior a 20.200 desempregados.

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Para já, o problema inverteu-se e hoje temos carência de mão-de-obra em áreas específicas e até mesmo para trabalhos menos exigentes quanto a qualificação e experiência profissionais. E essa indisponibilidade dificulta o espectável e desejado crescimento de setores como o turismo e os serviços de valor acrescentado.

O desafio assume, portanto, novos contornos. Em primeiro lugar importa garantir o atual nível de emprego, naturalmente com as inerentes flutuações sazonais. Depois dignificar o emprego, que o mesmo é dizer, conferir-lhe estabilidade pela celebração de contratos sem termo e melhores remunerações médias. Sim, não basta subir, e bem, o salário mínimo, importa assegurar também o crescimento do rendimento médio do trabalho e essa é uma situação complexa para as empresas, confrontadas que estão com a subida galopante de praticamente todos os fatores de produção.

E no horizonte já são percetíveis outros desafios para o emprego. A mobilidade, o teletrabalho e o trabalho remoto, a flexibilidade dos horários e sobretudo a desadequação tecnológica, cada vez mais intensa, recorrente e consequente, convocam políticas prospetivas, desburocratizadas, sem dogmatismos anacrónicos e preconceitos ideológicos .

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