Opinião: Joaquim Machado | Coisas de rapazes

Não havendo competições de futebol para menores de 15 anos, no meu tempo de miúdo a prática da modalidade fazia-se de modo informal, onde houvesse espaço para improvisar duas balizas, com dimensões imprecisas, compensadas na outra metade do jogo. A extensão do campo definia-se em razão do número de jogadores e, na falta de relógio, a partida terminava quando uma equipa marcasse seis golos, com o respetivo intervalo a meio da contagem.

À medida que a idade avançava também os nossos campeonatos de rua se tornavam mais exigentes e sentíamo-nos gente grande quando as equipas passavam a ter onze jogadores. Mas nem por isso deixava de ser coisa de rapazes.

Saltemos no tempo.

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Na política regional há momentos que em muito se assemelham àquelas jogatanas, verdadeira coisa de rapazes. Tal como nós, outrora na bola, não há tática, estratégia ou treinador, ninguém que valha entre tanto improviso e consequente desacerto. Problema dos pequenos partidos? Nem pensar, é sobretudo entre os socialistas que mais desordem se evidencia. O atabalhoamento do dr. Vasco e seus camaradas chega a reclamar a piedosa caridade da paciência.

Esta semana raiou mesmo coisa de rapazes, talvez aí a coincidência do número onze, no caso, para jogar putativas medidas de combate à inflação. Francamente. O partido que não apresentou uma só proposta para os dois orçamentos do Governo da Coligação, de 2021 e 2022, vem no fim do ano insinuar medidas que durariam um mês e meio, no máximo. Pior é que o desacerto (quase dizia a desonestidade política) vai ao ponto de apontar medidas já anunciadas e amplamente divulgadas pelo Governo, ou copiar iniciativas da República que só vigoram a partir de setembro de 2023, como é o caso da gratuitidade das creches. Felizmente nos Açores será já em janeiro.

Haja paciência. E decoro!

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