Opinião: Joaquim Machado | Baixinho

Nivelar por baixo é uma tendência bem portuguesa – dá jeito, requer muito menos esforço e já ninguém leva a mal. Habituamo-nos à mediania e confrontados com a exigência logo desconfiamos da utilidade de fazer mais e melhor. E assim continuamos com esta morrinha que se instalou em tudo que é sítio, da economia à política, passando pela educação.

Na escola, por exemplo, há quem se apegue ao processo por oposição aos resultados, valorizando o esforço em vez do produto final. E para certos políticos este também deve ser o caminho, ou melhor, foi esse o espírito da governação que protagonizaram durante longos anos.

Digo isto a propósito de hilariantes intervenções de um ex-governante socialista sobre a evolução de alguns indicadores do setor da educação nos Açores. Descontando o indisfarçável ódio de estimação que nutre por Bolieiro, trauma de uma copiosa derrota no município de Ponta Delgada, o resto da argumentação não passa de um truque baixinho, feito de imprecisões e meias verdades, deturpador da realidade.

Sobre o estado das instalações escolares tudo está à vista, agora como no passado. É inegável que a governação socialista empreendeu a construção e reabilitação de escolas. Gravíssimo seria se não o tivesse feito em 24 anos e com as avultadas ajudas da União Europeia como a Região nunca havia disposto. Mas isso não foi suficiente para evitar o profundo estado de degradação de alguns edifícios escolares que hoje requerem obras de muitos milhões de euros.

Quanto ao abandono precoce de educação e formação, se baixámos 33 pontos percentuais, o último governo de Vasco Cordeiro deixou-nos com o quádruplo da média nacional, ou 400 por cento acima do resto do país, para usar da habilidade do dito.  Se o processo foi bom, o resultado é baixinho. E envergonha, no mínimo.

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