Opinião: Joaquim Machado | 9.714 DIAS

Vinte e seis anos, sete meses e cinco dias é o tempo decorrido desde o último congresso do PSD/Açores realizado quando o partido detinha o poder regional. Indiscutivelmente, foi uma longa travessia na Oposição, que se deve, em parte, ao mérito de quem foi Governo, mas também aos erros cometidos no combate político.

Da derrota de outubro de 1996, com Álvaro Dâmaso, ao regresso à governação, o PSD consumiu sete líderes – Costa Neves, Manuel Arruda, Victor Cruz, novamente Costa Neves, Berta Cabral, Duarte Freitas e Alexandre Gaudêncio.

Comprovou-se que o desgaste na Oposição é mais rápido e profundo do que no poder e que a intensidade da erosão está diretamente relacionada com a oportunidade e qualidadedas propostas, com a eficácia da comunicação e a credibilidade dos protagonistas.

Não há sucessos na política sem perceber o sentimento do eleitorado e corresponder às suas necessidades. E por vezes na Oposição o tempo destina-se a lutas internas e a acertos de contas, que em ambos os casos são caminhos fratricidas e levam sempre todos à próxima derrota. Nem todos no PSD perceberam que assim era, permitindo uma longa governação socialista, mesmo pejada de errâncias, de grosseiras decisões e inqualificáveis omissões. Os Açores ficaram a perder. Todos perdemos.

Entretanto fez-se a mudança. Os açorianos cansaram-se de um socialismo degenerado, arrogante, omnipresente e bafiento.

Veio um tempo novo e outros protagonistas, alguns audazes, outros voluntariosos, porventura aqui e ali com a sofreguidão de querer fazer tudo num instante, como se o tempo fosse acabar logo depois. Muito mudou, para melhor, como se impunha. Com erros e hesitações, também, isso é da condição humana, não há maneira de lhe fugir.

A hora é de unidade e ponderação: definir prioridades e potenciar o investimento.

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