Opinião: Hernâni Bettencourt | Habituem-se e outros disparates…

Apesar de nunca ter feito parte da “claque” de António Costa e, em eleições internas, ter estado diversas vezes do “outro lado”, reconheço-lhe grandes competências e inúmeras qualidades.

A comunicação, para mim, sempre foi um dos seus pontos mais fracos. E, na verdade, com o passar dos anos, a coisa não tem registado melhorias significativas. E isto causa-me muita estranheza. Um líder com carisma e muita presença, como é o caso, não pode “vencer” apenas debates feitos à medida do Primeiro-Ministro. Refiro-me aos debates na Assembleia da República.

Noutro tipo de debates, discursos e entrevistas, fico, por norma, desiludido. Espero sempre mais e melhor. Mas, pelos vistos, e ainda bem, não é isso que os portugueses mais apreciam. É sempre preferível ter mais substância e menos forma. António Costa, indiscutivelmente, tem muito mais substância.

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Substância essa que, aliada a uma experiência de décadas pelos corredores do poder do Terreiro do Paço, até faz com que haja uma certa corte na comunicação social da capital que o coloca como tribuno de excelência. A este propósito, recordo-me sempre de Francisco Assis. Este sim, para mim, um comunicador de excelência e o melhor quadro do PS neste campo, mas que é “goleado” nos itens do carisma, presença, etc… etc…

Portanto, como sempre, o segredo para a “perfeição” deve estar algures aqui pelo meio. Vem tudo isto a propósito da mais recente entrevista de António Costa. Nessa entrevista à revista “Visão”, António Costa disse, infelizmente, vários disparates e uma expressão de má memória. Começo por esta última.

O “habituem-se” não é um original de António Costa. E também não é um exclusivo do PS. De qualquer forma, é algo completamente desnecessário pela arrogância que lhe está associada. Os portugueses não querem “donos disto tudo”! Expressões, ou frases que nos remetam para aí, em nada contribuem para o desejado convívio democrático entre todos os agentes políticos.

Vamos agora aos disparates. A saber: dizer, a respeito das múltiplas notícias sobre ligações familiares e atividade empresarial com o Estado, que “os casos e casinhos” não o fizeram “perder um segundo”.

Dizer que estes assuntos, difundidos por toda a comunicação social e até objeto de investigações jornalísticas, “são lançados pela central de criação de soundbites da direita”.

Dizer, por fim, a respeito da mudança da liderança na Iniciativa Liberal, que tal se deve e cito “à necessidade de adaptação a este novo estilo histriónico que a IL quer ter, de guinchar um bocadinho mais alto do que o Chega.

Fica é ridículo. Porque os queques, quando tentam guinchar, ficam ridículos perante o vozeirão popular que o Ventura consegue fazer”. Não havia necessidade! Resta-me desejar que o novo ano traga mais saúde, menos inflação, e mais sentido de Estado. Sejam felizes!

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