Opinião: Gualter Furtado | Reconhecimento ao Eng.º Oliveira Melo Pela Associação de Seniores de São Miguel

Neste dia mundial do idoso e da música a Associação do Idoso de São Miguel homenageou o Eng Oliveira Melo. Aqui fica o meu contributo a um dos nossos a um furnense amigo.

Neste Dia Internacional do Idoso, criado pelas Nações Unidas, para no dia 1 de outubro de cada ano relembrar o papel e o contributo que os idosos deram e dão à nossa sociedade, a Associação Seniores de São Miguel decidiu em boa hora prestar este reconhecimento ao Eng.º Oliveira Melo, que para os amigos é o José Manuel, ou o Oliveira Melo, sendo que para outros é simplesmente “o Furnas”, ou o Oliveira Melo da Granja.

O José Manuel nasceu no Vale das Furnas, a 3 de outubro de 1949, estando quase a fazer 73 anos. É o terceiro de 4 irmãos: o Duarte, o Mário, o José e o Carlos. Ficou órfão de pai muito cedo, tendo a felicidade de ter tido uma mãe de combate, a Senhora Eugénia, e de ter sido alvo de uma forte solidariedade por parte da Senhora Clotilde que, no caso dele, era sua vizinha.

A Senhora Clotilde, era uma empreendedora furnense, mulher de emigrante, cujo estatuto não a impediu de ser uma mulher de negócios – o que para a época não era normal, embora houvesse nafreguesia outros exemplos de mulheres solteiras, viúvas ou
mulheres de emigrantes a liderar atividades tradicionalmente reservadas aos homens – sendo que, no caso dos outros irmãos, este apoio solidário veio também de outras mulheres da família.

Os Açores e as Furnas daquele tempo duro e difícil funcionavam assim, já que o Estado Novo não desempenhava as suas funções sociais como, presentemente, o Estado Democrático as desempenha. As Mães, em circunstâncias como a que aconteceu com a do
José Manuel, eram abandonadas à sua sorte e, senão tinham algum rendimento ou a solidariedade das famílias e dos vizinhos, passavam um mau bocado.

Não obstante o Dr. Luís Rodrigues Martins – uma autoridade nas genealogias das famílias das Furnas – me tenha dito que, nos seus antepassados Ferreira de Melo, o José Manuel tenha ligações a uma das famílias mais ilustres de São Miguel.

Com uma Mãe empenhada e a solidária Senhora Clotilde – a quem o José Manuel ficou para sempre reconhecido ao ponto de, até ao dia do seu falecimento, a ir visitar todas as semanas – teve as condições fundamentais para estudar, o mesmo se passando com os irmãos, com exceção do mais velho, o Duarte, que só mais tarde estudou, tendo se especializado em mecânica.

O rumo natural naquele tempo dos filhos das famílias menos endinheiradas era a Escola Industrial e Comercial de Ponta Delgada (EICPD), porque permitia uma especialização e saída para o mundo do trabalho mais rápida. A Escola Industrial e Comercial de Ponta Delgada era um excelente estabelecimento de ensino técnico e responsável por ter formado centenas de quadros que ajudaram a melhorar estes nossos Açores.

Foi na EICPD que o José Manuel estudou e também se envolveu numa das suas grandes Paixões, a Música, neste caso concreto exercida através do Folclore.

Este gosto pela Música em parte pode ser explicado por ter nascido numa família em que se respirava música e que é conhecida nas Furnas como os Panelas. A Mãe do José Manuel foi fundadora do Grupo Folclórico das Camélias das Furnas e, presentemente, continuam no ativo 4 familiares seus das Furnas, a criarem música com diversos instrumentos e em diferentes áreas, como são o
Hermenegildo Galante com o Clarinete, o Ricardo Melo com a Viola da Terra, o Álvaro no acordeão, e o Romeu Bairos como cantautor.

Este ambiente familiar, aliado ao seu empenho pessoal, explicam o seu envolvimento ao longo da sua vida em projetos como o Folclore, as Serenatas das Furnas, o Fado, Associações Musicais, Grupos Musicais, pertencendo aos Órgãos Sociais da Sociedade Filarmónica Furnense e emprestando sempre a sua voz de ouro, fosse no palco, num terreiro, na Lagoa das Furnas, ou ao ar livre numa Serenata nas ruas das Furnas a caminho da Água Azeda com o Paulo Martinho e outros.

De seguida, foi estudar para o Instituto Superior Agrário de Santarém, onde se formou como Engenheiro Técnico Agrário.

Profissionalmente, e desde 1975, está ligado a um projeto ligado à Agricultura e a Pecuária que é a Granja, uma referência pela sustentabilidade no sector primário dos Açores, sendo atualmente e desde há muitos anos o seu sócio maioritário de referência.
Hoje é justo recordar que sempre foi um defensor da Diversificação Agrícola nos Açores, defendendo a importância do leite, mas também a sua coexistência com a produção de outros produtos agrícolas na nossa Região, evitando assim a nossa dependência quase total do exterior nesta área.

A sua participação cívica também é variada e intensa, de que destaco ter ajudado a fundar, comigo e com outros Furnenses, o então Círculo dos Amigos das Furnas – no Rotary Clube de São Miguel, na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, no Banco Alimentar dos Açores, na Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada – e de ter sido fundador da Associação Sénior de São Miguel.

Foi também autarca na Câmara Municipal de Ponta Delgada e na Câmara Municipal da Povoação, sede do nosso Concelho.

Em 2018, no dia da Região Autónoma dos Açores, foi distinguido com a Insígnia Autonómica de Mérito Industrial, Comercial e Agrícola.

Por tudo isto, é mais do que justo este reconhecimento que os seus pares prestam ao José Manuel Oliveira Melo, tal como é muito acertado o outro reconhecimento ao Albano Cymbron pelo seu contributo para o desenvolvimento equilibrado e sustentável do Turismo nos Açores, bem como os livros que nos lega em áreas tão nossas, como são as Baleias e a Laranja.

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