Opinião: Gualter Furtado | Ponta Delgada – Capital Europeia da Cultura

Eu acredito na candidatura de Ponta Delgada a Capital Europeia da Cultura porque, se Portugal um dia pensasse dar um nome como contributo ao Mundo na Filosofia, certamente que o Açoriano Antero de Quental estaria na linha da frente.

Eu acredito porque, Natália Correia, Dias de Melo, Pedro da Silveira, Vitorino de Nemésio, Manuel da Arriaga, Teófilo de Braga, Roberto Mesquita, Luísa Constantino, Francisco de Lacerda, Domingos Rebelo, António Dacosta, José Júlio Souza Pinto e tantos outros, são açorianos (as) de diferentes ilhas dos Açores e de Ponta Delgada, que muito deram à cultura nacional e mesmo europeia.

Eu acredito, porque o património edificado em Ponta Delgada tem exemplares extraordinários e que são um testemunho histórico e físico do contributo do povo açoriano para a europa e para o mundo. O exemplo do altar em madeira estilo barroco na Igreja do Colégio dos Jesuítas em Ponta Delgada é bem marcante da força da cultura nos Açores.

Eu acredito na candidatura de Ponta Delgada a Capital Europeia da Cultura por ser uma cidade que pertence a um Arquipélago que dá uma profundidade atlântica marítima extraordinária à Europa, que é o fim e o princípio da Europa, fisicamente bem demarcada pela sua posição geográfica de fronteira e que une as duas margens do Atlântico. Com toda esta força, Ponta Delgada merece ser Capital Europeia da Cultura.

Uma cidade que pertence a uma Região Ultraperiférica da União Europeia, que desempenhou um papel central na epopeia dos Descobrimentos, foi contribuinte ativa para o celeiro do Reino, pioneira na europa no cultivo e exportação da laranja, inovou introduzindo culturas agrícolas como a plantação e cultivo do Chá, deu, e dá, à europa e ao mundo vinhos extraordinários como os da ilha do Pico, produz o melhor queijo de vaca do mundo, tem a montanha mais alta de Portugal, a maior hidrópole do mundo que é o Vale das Furnas, possui em atividade, provavelmente, a maior concentração relativa de bandas de música, tem as Festas do Divino Espírito Santo que unem as 9 ilhas dos Açores e a nossa diáspora, as manifestações de teatro popular e danças mais genuínas e participadas da europa, a par dos mais belos jardins do mundo, bolsas espetaculares de floresta Laurissilva e zonas húmidas, e este Mar imenso, merece de facto esta oportunidade de ser Capital Europeia da Cultura.

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