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Antes mesmo dos primeiros povoadores terem chegado aos Açores já existiam nestas ilhas os pombos torcazes (Columba palumbus azorica) e com uma grande abundância em algumas zonas como era o caso do Vale das Furnas.

Trata-se de uma ave que primitivamente vivia na nossa floresta da laurissilva, alimentando-se principalmente de bagas, sementes e bolotas.

Com a destruição progressiva da nossa floresta da laurissilva, limitação da floresta, e aumento das pastagens, os pombos torcazes têm vindo a alterar a sua dieta alimentar e têm-se deslocalizado para os parques, jardins e locais próximos de zonas urbanas, de produção agrícola e vinhas.

É inegável que causam prejuízos nas produções agrícolas e nas vinhas (tenho provas que assim é), razão porque estes prejuízos têm de ser devidamente identificados e os produtores compensados.

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Trata-se de uma ave protegida por ser uma subespécie endémica dos Açores e classificada numa diretiva europeia, o que certamente pode justificar um enquadramento adequado para ser submetido aos apoios comunitários.

A solução deve ser encontrada depois de devidamente comprovada, primeiro em compensações aos prejuízos provocados pelos Torcazes, depois em correções demográficas pontuais e nunca na sua “caça” generalizada.

Temos responsabilidades ao nível Europeu que têm de ser cumpridas, e sob pena de depois virem as consequências. Temos o direito de não concordar com todas as diretivas europeias, mas as diferentes opções têm de ser trabalhadas e seguindo todos os passos adequados, e estou certo que as autoridades regionais conhecem estas exigências e este caminho.

Seria ainda mais grave se acontecesse ao pombo torcaz (uma subespécie endémica) o mesmo que aconteceu ao nosso coelho bravo, que quase desapareceu em algumas ilhas do nosso arquipélago, enquanto os ratos se desenvolvem exponencialmente e como acontece presentemente na ilha Graciosa.

Infelizmente, na Graciosa e em outras ilhas dos Açores não falta muito tempo para virmos a ter problemas causados pelas pragas dos ratos ainda maiores do que as que eram alegadamente ou comprovadamente causadas pelos coelhos bravos. A ver vamos!

Tem de haver bom senso e equilíbrio entre o mundo animal e o homem, e quando existem prejuízos os produtores têm de ser devidamente compensados, para isto é que existem também as políticas públicas, e se comprovadamente existirem excessos destas aves têm de se proceder a correções demográficas devidamente acompanhadas pelos Serviços Florestais, mas nunca dar cabo destas aves como tenho ouvido defender por alguns que por aí andam.

Finalmente, incluir o Melro-negro no calendário venatório e espécie a “caçar”, seria outro erro que iríamos pagar muito caro, já que representaria uma atraso civilizacional de décadas, e motivo de referência pela negativa por sermos apologistas de soluções básicas e retrógradas, evitando trabalhar em alternativas que salvaguardem o rendimento dos produtores, indo ao contrário pelo caminho mais fácil que é o de matar em vez de compensar e salvaguardar.

Às vezes fico a pensar que existem alguns conterrâneos nossos, felizmente poucos, que por eles acabava-se com todas as árvores, pássaros, aves selvagens, coelhos bravos, lagoas e lagoeiros, etc, e assim seriam felizes.

 

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