Opinião: Gualter Furtado | Natal em tempo de Guerra e de Crises

Se o Natal de 2019 e seguintes ficaram marcados pelo Covid-19 à escala mundial, com o vírus confirmado em 228 países e territórios, este de 2022 será vivido e recordado pelos horrores da guerra, na invasão da Ucrânia pela Rússia, em plena Europa dos Países ricos e das maiores economias do mundo, e não muito longe da nossa porta.

Aos horrores da guerra vieram juntar-se o drama dos cerca de 14 milhões de refugiados em consequência desta invasão da Ucrânia pela Rússia, incluindo alguns que se encontram entre nós.

Mas também a esta guerra em pleno séc. XXI temos associada a crise da energia, do aumento do preço das matérias-primas, do custo dos transportes e consequentemente do preço final de bens e serviços, penalizando agentes económicos e consumidores, principalmente os mais pobres, aqui nos Açores, mas também por este mundo fora.

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Alta de preços não raras as vezes agravada pela ganância e especulação de operadores que se aproveitam da situação para “porem mais achas na fogueira”. É, pois, neste enquadramento de guerra, de inflação, especulação, e crise climática, que vamos “festejar este Natal”.

O Natal, é um momento alto de vivência da família, do nascimento do Menino Jesus e das prendas e do consumo.

Em relação à família e em pela crise demográfica nos Açores, resultado da baixa natalidade dos jovens casais, mas também consequência dos milhares e milhares de emigrantes que saíram de todas as ilhas à procura de melhores condições de vida e principalmente na América do Norte, a que veio juntar-se a desestruturação de muitas famílias, situação agravada pelas dependências e a droga, faz com que o Natal em muitos lares açorianos seja pesado e doloroso.

Sendo assim, na noite do nascimento do Menino Jesus, que significa a esperança, a vida e a renovação, que o nosso pensamento, nem que seja por uns minutos, esteja com os que mais sofrem, estejam eles em Kherson na Ucrânia, ou mesmo a uns escassos metros da nossa porta.

Mas se passarmos do pensamento à ação, traduzida num ato de solidariedade ativa e partilha, então, este Natal certamente ganhará nos nossos corações um sinal de esperança.

Finalmente, e para os que podem, sugiro que, nesta quadra natalícia, façam um passeio ao Vale da Furnas e visitem o Presépio das Caldeiras da Furnas, aproveitando para meditar sobre o significado do nascimento de Jesus e a beleza e força da natureza, bem expressa nas fumarolas e nascentes de água que caracterizam aquele paradisíaco lugar dos Açores, tendo sempre presente que o desrespeito do meio ambiente por ignorância, ou ganância, é sempre pago mais cedo ou mais tarde com uma fatura bem pesada.

Votos de um Natal Solidário e que não se concretize o denso nevoeiro que se perspetiva para 2023.

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