Opinião: Gualter Furtado | Ilha das Flores, uma das mais bonitas Pérolas do Mundo.

É hoje consensual que o meio ambiente nos Açores representa uma vantagem comparativa e mesmo absoluta de grande alcance para os naturalistas e mesmo no campeonato do turismo.

No entanto, estamos cercados por várias ameaças e uma delas são as espécies invasoras, sendo que umas são mais agressivas do que outras e se não forem controladas abafam todas as outras espécies, sejam elas autóctones, ou, importadas, existem vários exemplos, mas as conteiras, os gigantes, e o rícino, são evidentes, pelos efeitos expansivos e agressivos impressionantes que causam.

Sabemos que o combate a estas espécies invasoras seja na terra, como no mar, não é tarefa fácil e convoca a múltiplas respostas e a um importante esforço financeiro, mas considerando o que está em jogo, vale a pena fazer esta opção estratégica de mitigação destas pragas que ameaçam as nossas áreas naturais e mesmo a nossa superfície agrícola útil, que são limitadas e muito frágeis.

Um dos casos mais emblemáticos a preservar é o nosso Cedro-do-mato, uma espécie da nossa floresta laurissilva que podemos encontrar em todas as ilhas dos Açores, com excepção da ilha Graciosa, é considerada uma espécie endémica, uma conífera de elevado valor patrimonial histórico e natural, e ocupando importantes áreas em ilhas como o Pico, São Jorge e as Flores.

E é precisamente na ilha das Flores, uma das mais bonitas ilhas do mundo, onde presentemente podemos encontrar importantes manchas de Cedro-do-mato em estado de boa conservação, mas já com a presença de algumas conteiras, que urge remover o mais rápidamente possível, e antes que seja tarde. No habitat em questão é possível a sua mitigação e mesmo controlo.

Na ilha das Flores sentimo-nos próximo dos Açores do antes do povoamento em matéria de património ambiental, sendo que o Cedro-do-mato, as suas Turfeiras e as Lagoas são de uma beleza extraordinária e de um valor incalculável mesmo em termos económicos e seria muito grave se por incúria ou ignorância não preservássemos/valorizássemos esta riqueza natural que nos diferencia.

Pub