Opinião: Gualter Furtado | “Estradas e Resultados!

Recentemente e impulsionadas pelas verbas do PRR-AÇORES, a construção de estradas nos Açores voltaram a ser uma prioridade, e praticamente todos os dias são avançados novos investimentos nesta área.

Mesmo sabendo-se que as verbas disponíveis no PRR-AÇORES não vão ser suficientes para financiar todos os projetos anunciados.

Gostaria de precisar que as acessibilidades internas e externas são importantes, diria mesmo cruciais para o Desenvolvimento dos Açores, mas só se integradas numa lógica de malha de atividades complementares e estratégicas, caso contrário, o investimento nestas estradas gera muito pouco Valor Acrescentado Líquido, sendo marginal o seu contributo para o PIB, pois estão longe de serem consideradas por si só bens transacionáveis .

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Razão por que muitas Regiões do interior de Portugal, não obstante, terem uma boa rede de estradas, continuam a não convergir com o litoral, e até acentuam o seu processo de despovoamento e envelhecimento.

Mesmo entre nós, temos o caso do Nordeste, que apesar de terem beneficiado da SCUT, esta melhoria nas acessibilidades não foi suficiente para inverter o seu processo de perda de população, nem de melhorar os seus indicadores económicos e sociais.

É por demais evidente que o Desenvolvimento Regional não se consegue construindo apenas estradas, e que se estas infraestruturas não forem devidamente ponderadas e planeadas, correm o risco de serem um fator acrescido de destruição de património fundiário e de pesado encargo Orçamental presente e futuro, sacrificando outros investimentos económico e socialmente mais úteis, incluindo o abandono de investimento em vias de comunicação já existentes e em situação de completo desleixo/risco.

Esta reflexão pretende contribuir para que estes investimentos sejam pensados estrategicamente e sempre numa lógica de criação de valor acrescentado líquido.

Construção de estradas novas, sim, mas avaliando sempre a sua rentabilidade económica, social e ambiental, e não esquecendo que exigem sempre outros investimentos complementares.

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