Opinião: Emanuel Furtado | Depois de “lavados os cestos”…

Política e afins

Marcelo Rebelo de Sousa ganhou as eleições de forma categórica. Não há dúvidas sobre isso.

O candidato que apoiei foi João Ferreira, não com o entusiasmo com que apoiei, em 2016, António Sampaio da Nóvoa, o qual apoiei com enorme convicção.

9 de março é a data em que Marcelo Rebelo de Sousa toma posse perante a Assembleia da República, como V Presidente da República, da intitulada Presidência Constitucional da III República.

A partir dessa data, Marcelo Rebelo de Sousa, como o próprio não se fartou de referir, será o Presidente de todos os portugueses e, por conseguinte, também, o meu Presidente. Por isso, desejo-lhe os maiores sucessos na condução do mais alto cargo da Nação.

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Estas eleições foram marcadas pela maior abstenção de sempre em eleições para a Presidência da República, valor esse que atingiu 54,55%, muito aquém das piores expectativas, e ainda bem. As razões são diversas, mas a que terá contribuído mormente para esse valor terá sido a que se prende com o contexto pandémico em que vivemos. É, contudo, importante não perder de vista razões como a saturação dos portugueses perante algumas formas de atuação de certos políticos, que salvo o exagero, todos os dias contribuem para essa saturação. Parece-me também importante que seja dever dos decisores políticos encontrarem novas formas de participação e votação, vulgo voto eletrónico, por exemplo.

Estas eleições, apesar da elevada abstenção, ficaram marcadas, desde logo, pela clara vitória na reeleição de Marcelo com 60,70% (ainda com um consulado por apurar), ainda que muito aquém da alcançada por Mário Soares, em 1991, com 70,35%, e muito além de Cavaco Silva, em 2011, com 52,95%, mas também pela adesão de cerca de 500 mil eleitores a um candidato com ideias populistas, radicais, extremistas, xenófobas, etc, etc. 500 mil votos já não são brincadeira e, ou as campainhas começam a abanar o pensamento de todos os democratas, políticos de bom senso à cabeça, ou nada de bom se augura para o futuro.

Por outro lado, e apesar da custosa derrota, deve-se enaltecer Ana Gomes por ter segurado o 2.º lugar no campo democrático.

Salvo alguma excepção, todos os candidatos reclamaram vitória, de forma mais ou menos entusiástica. É sempre assim nas noites eleitorais. Eu sou daqueles que acham que quem ganha é quem fica em primeiro.

Mas o pior foi ver alguns líderes partidários numa autêntica roda viva com declarações para ver quem, em bicos de pés, ficava mais alto. Desde o líder do CDS a reclamar para si os louros da vitória de Marcelo, passando pelo chefe do PSD que, num discurso completamente delirante, ainda se congratulou com o segundo lugar de Ventura no Alentejo. Ora, Rio não deve ter percebido nada do que se passou no Alentejo. Os votos para Ventura não são oriundos dos votantes do PCP. São, sim, oriundos do PSD. António Costa nem apareceu…

Esta vitória foi tão e somente de Marcelo Rebelo de Sousa!

Não fora a sondagem (real) à “boca-de-urna”, no dia das presidenciais, em que foram inquiridas mais de 4500 pessoas, a qual atribui, à data e para futuras eleições legislativas, uma maioria bastante confortável aos partidos de esquerda, com o Partido Socialista a obter cerca de 35%, estes estariam em profunda depressão.

Apesar desta vitória que a direita reclamou, ela cria, curiosamente, um enorme problema nesse espaço da direita democrática. Basta observar o frenesim.

Para finalizar é preciso referir que, mesmo assim, mais de 88% dos portugueses que foram às urnas votaram no “não-populismo”, no “não-radicalismo”, no “não-extremismo” e outros tantos “ismos” tão prejudiciais à democracia.

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