Opinião: Célia Pereira | Indiferença(s) do novo paradigma

2023, o Ano Novo já corre e acontece.

O Ano que tantos apontam como decisivo e o mais importante, desta década, para a definição de medidas e políticas de combate à crise económica severa que se vive. Uma crise com impactos devastadores na vida das famílias açorianas e que exige respostas imediatas, elevado compromisso e acuidade por forma a atenuar o agravar de dificuldades e incertezas que a todos afetam.

Uma crise expressa sobretudo no efeito dominó gerado pelo somatório do agravamento das despesas fixas do orçamento familiar e que constitui, talvez, o maior risco ao equilíbrio da sua gestão. O aumento do crédito à habitação, devido ao escalar das taxas Euribor, tenderá a aumentar a taxa de esforço, a diminuir o valor disponível para o cabaz de compras e combustíveis, mais caros devido à inflação, e, no limite, a não conseguir fazer face ou a libertar menos meios para atender a imprevistos.

PUB

Em suma, uma crise que se adensa e potencia que as famílias, em dificuldade, incorram em incumprimento com os compromissos financeiros contratados, tenham de reavaliar metas e objetivos, adiar sonhos ou, em fim de linha, fazer escolhas difíceis como, por exemplo, manter ou vender a casa.

E como responde o Governo Regional e a coligação que o suporta?

Chumbam o Plano de Emergência Social e Económica dos Açores, apresentado pelo Partido Socialista no debate do Plano e Orçamento na Assembleia Regional. Um pacote com 11 Medidas Urgentes de Apoio às Famílias e Empresas Açorianas, entre as quais “uma prestação suplementar de rendimento agora no mês de março, o apoio ao crédito à habitação e apoio às famílias que tivessem estudantes deslocados.”.

Este Governo Regional segue indiferente aos apelos de entidades da sociedade civil, como a Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, o Conselho Económico e Social dos Açores ou a AHRESP/Açores. Persiste na ilusão de que tudo vai bem, que não são necessárias mais medidas de apoio às famílias e que as bandeiras políticas desta coligação – menos beneficiários do RSI e acabar com os programas ocupacionais – são para cumprir, custe o que custar, doa a quem doer.

Se há mais famílias a passar mal, a contar tostões e a escolher entre comer ou pagar a renda da casa, isso, para já, a este Governo Regional, parece não importar ou preocupar. As tormentas das famílias Açorianas não o afligem.

O modus vivendi deste novo paradigma de governação mais parece ser o de que, agora, tudo vai bem, depois se verá, quando a crise for factual agiremos…

2023, o Ano Novo já corre e acontece.

Mas o que já não é novo e tende a padronizar-se é o alheamento e passividade do Governo Regional em funções.

O rei vai nu. As famílias Açorianas que se aguentem.

Pub