Opinião: Célia Pereira | Entre AGENDAS

2023 já se anuncia e empurra 2022 para o fim. O ano da esperança que fluiu aos tropeções, entre resquícios de felicidade forjada na penumbra da pandemia e prenúncios de uma crise que se instala. Em surdina 2023 é temido.

Traz consigo uma crise que os comentadores dos blocos noticiosos de todos os canais televisivos, em uníssono, advinham como a pior de sempre. E, apesar da relatividade do sempre, ninguém duvida.

A pandemia, a guerra e a subida vertiginosa da inflação já se sentem e dão razão a estes presságios. Semana a semana, sobe o preço do cabaz de bens alimentares e no sentido diametralmente oposto, desce o poder de compra das famílias. Nas prateleiras multiplicam-se os produtos com preços proibitivos para as famílias em choque com o agravamento das taxas de juro do crédito à habitação, o aumento dos combustíveis e a ansiedade e desespero, em crescendo, de quem só já faz contas de sumir.

Sumir ou desaparecer. É, também, esta a ameaça que pende sob a classe média. As medidas de resposta à crise e de apoio às famílias e às empresas impõem-se, mas o Governo Regional vai chutando para a frente que, para já, “com papas e bolos se enganam os tolos” e o povo quer-se brando e entretido.

E, portanto, há que combater a ameaça do atavismo político e bolorento de outros tempos. Há que ouvir os sinais dos tempos e agir. Propor medidas que efetivamente respondam, no imediato, por forma a atenuar e superar a crise que se sente e aflige os Açorianos. Medidas que preservem a capacidade de investimento e liquidez das empresas. Medidas que apoiem as famílias nas despesas que o agravamento da inflação mais empola.

Medidas urgentes como as anunciadas, na passada segunda-feira, pelo Presidente do Partido Socialista Vasco Cordeiro, através das quais o Governo Regional devolva o dinheiro que recebeu a mais em impostos. Medidas, já, para 2022 e que não deixem para amanhã o que urge fazer hoje:

  1. Jardins-de-Infância gratuitos, com efeitos a 1 de setembro de 2022;
  2. Apoio às Famílias com Crédito à Habitação;
  3. Apoio às Famílias com Estudantes Deslocados para frequência do Ensino Superior e Ensino Profissional;
  4. Atualização do valor dos Custos Elegíveis nos Projetos COMPETIR+;
  5. Redução da Taxa de Imposto sobre Combustíveis;
  6. Reforço do Apoio ao Gasóleo Agrícola e Gasóleo Pescas;
  7. Apoio à Estabilização do Preço de Transporte de Matérias-Primas e Mercadorias;
  8. Fundo Regional de Capitalização de Micro e Pequenas Empresas;
  9. Compensar o Aumento dos Custos de Produção das Empresas com a condição de aumentar o preço final de venda de produtos;
  10. Linha de Crédito, com garantia pública e juros bonificados, para empresas amortizarem os empréstimos que beneficiaram de moratória durante a pandemia de COVID-19;
  11. Apoio Extraordinário às IPSS’s e Misericórdias.

E, ainda a propósito de Agendas, uma última nota sobre as Agendas Mobilizadoras, tema quente deste último ano e que nos últimos dias alguns tentam esfriar e silenciar, lembro aquele provérbio popular “quem tudo quer tudo perde”. Não basta substituir um membro do Governo e dar o assunto como concluído. Não! Há responsabilidades a assumir por respeito à Democracia e à nossa Autonomia. Porque, neste como em outros casos, que vão sendo cada vez mais a regra, quem perde e exaspera são os Açores e os Açorianos.

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