Opinião: Alexandra Manes | Quem subestimaa MULHER?

Por estes dias, encontramos na internet um número crescente e assustador de pessoas que simpatizam com o engate da extrema-direita junto da direita clássica portuguesa. Ainda estão em fase de preliminares, é certo, mas já Luís Montenegro caminha a passos largos para dar a mão a André Ventura e perguntar-lhe se quer namorar.

Ventura, do partido de um homem só, festejou a vitória do fascismo italiano, sedento de beber do eleitorado que o PSD lhe vai entregar de bandeja. Numa bandeja não muito distante da que conhecemos aqui nos Açores. Dessa aliança, nada de bom virá. As consequências nefastas que já sentimos na pele vão passar pelas mais diversas fases, crises e opressivas estratégias de controlo. Aquele que gostaria de destacar hoje é uma que me toca pessoalmente, não apenas por ser mulher, mas também por me considerar fervorosa combatente pela igualdade de direitos – feminismo.

Deixem-me que vos diga, sem rodeios, uma verdade dura e crua: a extrema-direita não gosta de mulheres. Alguns já estarão a revirar os olhos, ao ler a frase anterior e até já se preparam para explicar que a atual líder da extrema-direita italiana é uma mulher. Só que GiorgiaMeloni, a nova Mussolini, como ela própria gosta de se intitular, também não gosta de mulheres. Não valoriza a sua mãe e as suas tias, nem apoia as suas irmãs e amigas, tendo preferido juntar-se a um sereno vendedor de banha de Putin, em Salvini, e à encarnação da masculinidade tóxica em pessoa, com Berlusconi.

Meloni e a extrema-direita não gostam de mulheres. Detestam a sua emancipação.

Olhemos para Trump, que foi agora novamente alvo de mais um processo de acusações de violação. O mesmo que já disse publicamente que se sentia atraído pela própria filha. Ou que já foi gravado a objetificar as mulheres, de forma tão ordinária que nem merece repetição. Ou Bolsonaro e os seus evangelistas, que chegaram mesmo a utilizar termos igualmente abjetos em pleno Senado brasileiro, para descrever as suas adversárias políticas.

Não encontrarão mulheres que gostem de ser mulheres e protejam outras mulheres no seio da extrema-direita. Encontram as que estão mal informadas e as que venderam a alma aos diabos, pela submissão aos patriarcas deste mundo.

No momento em escrevo estas linhas, é no Irão que se centra este conflito, apesar de ele ser travado em todo o mundo. Mulheres guerreiras, destemidas e bem preparadas enfrentam um governo ditatorial e procuram a sua liberdade, e a liberdade de oportunidade das suas filhas, sobrinhas e netas. O que se passa por lá é complexo e pode acabar muito mal para todas nós, mas é uma batalha que todas as mulheres devem travar. E travamos, lá e cá. Estando eu profundamente solidária com as mulheres iranianas, relembro às portuguesas que se Ventura for namorar com o PSD, é pelo caminho do Irão que ele irá querer seguir. Certamente não mandará tapar o cabelo, mas tudo o que se alcançou sofrerá retrocessos profundos.

Aproveito este artigo para cumprimentar Maria José Duarte – ex Presidente da Câmara de Ponta Delgada. É lamentável que um homem, com a projeção que tem, venha para a televisão apelidar de “espalhafatosa e deselegante”. Pedro Nascimento Cabral só o fez por que Maria José Duarte é mulher!

E nem uma voz, feminina ou masculina, do PSD, se ouviu a lamentar as palavras miseráveis proferidas pelo atual Presidente da maior autarquia dos Açores.

Cabe-nos lutar. Hoje e sempre.

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