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A presidente do Núcleo Empresarial de São Jorge, Sandra Brasil, disse hoje que é preciso garantir melhores acessibilidades à ilha durante o inverno, como forma de potenciar o turismo na época baixa.

“É preciso garantir melhores acessibilidades à ilha de São Jorge durante o inverno e potenciar o Triângulo” (São Jorge, Pico e Faial), defendeu a empresária jorgense, durante uma audição na Comissão de Assuntos Sociais do parlamento açoriano, adiantando que, “quando o avião não consegue aterrar na ilha”, há que apostar no transporte marítimo para deslocar os turistas a São Jorge.

Sandra Brasil foi ouvida pelos deputados no âmbito da discussão de uma proposta apresentada pela bancada do PS na Assembleia Legislativa dos Açores, que defende a criação de medidas de apoio às famílias e às empresas, como forma de minimizar os prejuízos causados pela crise sismovulcânica que teve início em março.

A empresária lamenta que o ‘voucher’ ‘Welcome São Jorge’, criado pelo Governo Regional para atrair turistas à ilha, após a crise, não tenha funcionado, em termos práticos, apesar de admitir que até “era uma boa medida”.

“Ninguém vem a São Jorge por causa de 35 euros! A medida até era boa, mas implicava muita burocracia e obrigava os turistas a apresentar demasiadas faturas e comprovativos”, recordou a presidente do Núcleo Empresarial, que tem 34 associados na ilha.

Durante a visita estatutária feita à ilha de São Jorge entre 20 e 22 de julho, a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, explicou que apenas tinham sido utilizados, até àquela ocasião, cerca de um milhar de ‘vouchers’ com destino a São Jorge, e que o plafond determinado pelo executivo estava longe de ser esgotado.

Sandra Brasil defende também que seja criada uma linha de crédito para os empresários que pretendam investir na ilha, para que não sejam penalizados em relação aos restantes empresários da Região, e propôs a atribuição de benefícios fiscais e eventuais isenções de pagamentos à Segurança Social, como forma de compensar as perdas de rendimento verificadas até agora.

“Acho que as empresas de São Jorge devem ser apoiadas, mas de forma justa e apenas aqueles que, efetivamente, registaram perda de rendimentos”, ressalvou a empresária, adiantando que o tecido empresarial da ilha não quer “subsídios”, mas apenas “ferramentas para poderem manter a sua atividade” e “seguir em frente”.

A crise sismovulcânica em São Jorge teve início a 19 de março, quando o CIVISA (Centro de Informação Sismo-vulcânica dos Açores), registou a ocorrência diária de centenas de sismos no concelho das Velas, que fez aumentar o alerta das autoridades regionais para a possibilidade do surgimento de uma erupção vulcânica.

Na sequência do alerta dos especialistas, cerca de 2.500 habitantes do concelho de Velas decidiram abandonar as suas residências, por iniciativa própria, refugiando-se no concelho vizinho da Calheta e noutras ilhas do arquipélago, como Pico, Faial e Terceira, com receio dos tremores de terra e de um possível vulcão.

Algumas empresas da ilha fecharam também as portas, por falta de mão-de-obra, a escola secundária de Velas esteve temporariamente encerrada, nos primeiros dias da crise sismovulcânica, mas aos poucos as pessoas foram regressando às suas casas e às suas atividades profissionais.

A 08 de junho, o CIVISA baixou o nível de alerta na ilha de São Jorge de V4 (ameaça de erupção) para V3 (sistema ativo sem iminência de erupção), notando que a atividade sísmica continuava “muito acima dos valores de referência para a região”.

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