Nova ‘app’ para telemóvel ajuda comunicação em casos de paralisia cerebral

Uma parceria entre a Fundação PT e a Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral (FAPPC) está a desenvolver uma aplicação para telemóvel e ‘tablet’ que visa melhorar a comunicabilidade das pessoas com paralisia cerebral.

Denominada de ‘Magic Contact’, a aplicação tem vindo a ser testada na Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC) e baseia-se numa tecnologia que permite ao utilizador não só comunicar por mensagem escrita como aceder à internet.

Este conjunto de ferramentas, uma vez implementado o projeto “Vida Independente” da APPC, pode aumentar o grau de autonomia do utilizador, disse à Lusa o presidente da FAPPC, Abílio Cunha.

O responsável pelo desenvolvimento da aplicação ‘Magic Contact’, Daniel Freitas, disse à Lusa que a aplicação “desenvolvida de raiz a pensar nos utilizadores com paralisia cerebral” pretende “resolver o problema de como uma pessoa com graves limitações motoras pode interagir com um ecrã tátil”.

O recurso a um botão externo ligado por cabo ao ‘smartphone’ ou ao ‘tablet’ simplificou essa relação, abrindo aos utentes da APPC a faculdade de usarem as principais ferramentas do telemóvel, fazer uma chamada, enviar uma mensagem e navegar na internet, explicou Daniel Freitas,

“Há ainda ferramentas para ajudar a comunicar através de símbolos, de escrita”, acrescentou o responsável.

Enaltecendo as “mais-valias” que a proximidade com a APPC e com os seus utilizadores traz ao projeto, Daniel Freitas e Marta Samúdio, terapeuta ocupacional da equipa do Serviço de Tecnologias de Apoio da APPC, concordaram que as sugestões apresentadas pela associação vão no “sentido de uma personalização da aplicação”.

“Temos não só a população que utiliza esta tecnologia mas também temos testado os resultados para tentar melhorar a aplicação”, disse a responsável da APPC de um “trabalho que permite personalizar a aplicação às necessidades e às dificuldades do utilizador”.

E porque as “necessidades vão mudando, quer em termos do utilizador quer sobre aquilo que se faz com a tecnologia”, Marta Samúdio admite que “há sempre algo para melhorar”, ainda que testemunhando o sucesso da ferramenta.

“Temos clientes a utilizá-la diariamente e estão satisfeitos. É uma aplicação que é gratuita, com a possibilidade de se personalizar, facto que funciona como uma mais-valia”, disse.

A diretora da Cidadania Empresarial e Inclusão da Fundação PT, Graça Rebôcho, frisou que as “soluções desenvolvem-se, sobretudo, através da tecnologia” sendo adaptadas “a cada tipo de necessidade”.

Admitindo que a otimização das respostas no tempo, em relação às sugestões feitas, “pode ainda melhorar”, sublinhou as parcerias com as universidades, citando o exemplo da “Magic Contact”.

“A ideia foi de um colaborador da Fundação PT e nós pedimos ao Instituto Politécnico da Guarda que desenvolvesse tecnologicamente a solução”, relatou a diretora.

O presidente da Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral, Abílio Cunha, explicou à Lusa que fruto da parceria “trabalham-se em conjunto as autonomias do indivíduo”.

Citando a Convenção dos Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência, Abílio Cunha frisou a importância da tecnologia para “superar algumas limitações, sobretudo na paralisia cerebral, em que a comunicação é, para a maior parte, um entrave à autonomia e à inclusão”.

“As pessoas que estão a utilizar estas tecnologias usufruem de uma autonomia que lhes permite terem qualidade de vida e seguirem o seu percurso como outro cidadão”, disse.

Como exemplo disso falou do projeto “Vida Independente”, que “permitirá ter um assistente pessoal para colmatar as tarefas que não consegue executar”, mas que ao dispor da aplicação poderá “também adquirir outros serviços na comunidade sem estar dependente desse apoio humano”.