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Esta iniciativa regional pretende dar voz às pessoas vítimas de violência doméstica, através da divulgação em vários jornais da Região Autónoma dos Açores, dos seus testemunhos de histórias de superação, passando assim a importante mensagem a quem é vítima de que pode ultrapassar a situação e que esta pode acabar bem.

Testemunhos

Lembra-se do motivo que levou ao seu acompanhamento pela Rede ou Pólo de Prevenção e Combate à Violência Doméstica? Quer partilhar connosco o que aconteceu?

Já andava há bastante tempo (meses) a sofrer violência psicológica, ele passava a noite fora e não me dizia nada, deixava tudo por fazer, a roupa suja e questionava as minhas publicações no Facebook. Pedi apoio por este motivo à Rede de Prevenção e Combate à Violência Doméstica. Quando ele saiu de casa, cortou-me a luz (arrancou o cabo da luz) e eu estava com medo de que ele também me agredisse fisicamente.

De que forma a Rede ou o Pólo de Prevenção e Combate à Violência Doméstica o/a ajudou a lidar com este acontecimento da sua vida?

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Ajudou muito, deu uma volta de 180 graus na minha vida… eu não tinha qualquer suporte familiar nem de amizades. Fui para a casa abrigo, com o meu filho, cerca de 4 meses para me organizar.

O processo de violência doméstica é, por si só, um processo complicado. Que dificuldades sentiu ao longo do mesmo? Como as ultrapassou?

Sobretudo no processo de desligar-me do passado… de desligar-me da maneira como tudo me afetava. A partir do momento que me coloquei em primeiro lugar, eu é que importava, passei a ter um comportamento assertivo, melhorei… e também o outro lado parou de me aborrecer constantemente.

Sente que se tornou uma pessoa diferente ao longo deste processo? Que conquistas alcançou?

Sim, uma pessoa completamente diferente. Tenho a minha casa própria, consegui proporcionar estudos universitários à minha filha por mérito próprio… e sobretudo, resgatar a mulher que perdi na minha relação abusiva. Ser eu, ter amigos e amigas, conviver, fazer o que gosto e ser feliz.

Que objetivos tem para o seu futuro?

Tenho o “bichinho” da restauração, queria aprender a andar de mota, gostava de conhecer a Europa, a Islândia, a Tailândia… nunca é tarde para sonhar!

A violência doméstica continua a ser uma realidade que afeta muitas pessoas. Que conselho daria a quem esteja a vivenciar uma situação destas?

Pôr-se a si em primeiro lugar, amar-se a si própria primeiro e o resto vai fluindo. E em relação ao passado, aceitá-lo, aprender com ele e seguir em frente.

Caso tenho conhecimento de alguma situação de violência doméstica contacte a Linha Regional Contra a Violência Doméstica (800 27 28 29). 

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