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O navio de transporte de mercadorias para a ilha das Flores, Açores, não conseguiu hoje descarregar a carga porque o porto está “praticamente sem quebra-mar”, após a destruição agravada pela tempestade de sábado, disse à Lusa o capitão.

Em declarações à Lusa, o capitão do porto da Horta e Santa Cruz das Flores, João Mendes Cabeças, explicou que o navio que se deslocou à ilha das Flores esta manhã “ainda chegou a atracar, mas ao fim de cinco minutos tinha partidos dois cabos de amarração e não conseguia operar”, pelo que voltou para trás.

O capitão acrescentou que “a operação portuária está comprometida” e dependente das condições do mar, sendo que “qualquer ondulação tem uma grande influência no porto” de Lajes das Flores.

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“Se for mar do quadrante norte ou oeste, não haverá problemas. Se for de qualquer outro quadrante, terá, porque o porto praticamente não tem quebra-mar – foi destruído pelo furacão Lorenzo, em 2019, e agora a destruição agravou-se, no sábado. Estamos praticamente em mar aberto”, descreveu.

Quanto às descargas do navio que abastece a ilha, o capitão esclareceu que “a descarga é feita com gruas do próprio navio” e a ondulação existente hoje colocava riscos de um mal maior.

Os presidentes de câmara da ilha das Flores, Açores, manifestaram hoje preocupação com os impactos provocados pelo mau tempo no único porto comercial da ilha, alertando que a infraestrutura “já estava frágil” desde a passagem do furacão Lorenzo.

O presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores, José Carlos Mendes (PS), lembrou que a infraestrutura portuária “está em reconstrução”, devido à destruição do molhe, na sequência da passagem do furacão Lorenzo, em outubro de 2019.

“É sempre mais um revés. A estrutura está frágil, porque foi destruída pelo furacão e está em reconstrução. E quando estas situações acontecem, são sempre motivo de preocupação, porque está em causa o abastecimento à ilha das Flores”, sublinhou.

O autarca de Santa Cruz das Flores disse que “neste momento” não faltam bens na ilha.

“O Governo Regional já disse que está assegurado o abastecimento, mas estamos a falar em abastecimentos mínimos que serão feitos através da Força Aérea ou da SATA”, considerou.

Também o presidente da Câmara das Lajes das Flores, Luís Maciel (PS), afirmou que a operacionalidade do porto “é sempre um motivo de preocupação” e disse aguardar com expectativa a inspeção de mergulhadores.

“O porto está limitado desde o furacão Lorenzo. Atualmente a ponte-cais tem estado operacional e a garantir o abastecimento à ilha e foi uma infraestrutura recentemente construída depois do furacão”, assinalou à Lusa.

Luís Maciel sublinhou a importância “crucial” da infraestrutura portuária para o abastecimento à ilha.

“Mas, com certeza que o abastecimento será feito se não for pela operação normal do navio, pelo menos é essa a garantia que tenho do Governo Regional, com quem tenho mantido contactos regulares”, referiu.

O autarca Luís Maciel explicou ainda que “o navio escala normalmente a ilha de 15 em 15 dias” e, “por vezes, acontece haver rutura de um ou outro produto”.

Em 21 de outubro a operacionalidade do porto das Lajes das Flores foi reposta com a primeira atracação do navio “Monte da Guia” na nova ponte-cais, entretanto construída.

O projeto do porto para repor “definitivamente” a capacidade portuária da infraestrutura das Lajes das Flores tem previsão de lançamento de procedimento concursal no primeiro trimestre de 2023 e a obra deverá ficar concluída até final de 2028.

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