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Foi criada associação que “quer um museu contemporâneo que seja vivido por todos”

O Diretor do Museu da Horta afirmou que “a missão e a função” deste museu é “explicar aos que cá habitam [no Faial] e aos que nos visitam que o entendimento entre povos e culturas diferentes é possível, nem que seja no meio do Atlântico”.

José Luís Neto falava numa sessão do evento “Faial: Descobrir a História, Pensar o Futuro” especificamente dedicada ao Museu da Horta, onde apresentou os planos para a reestruturação e ampliação do museu.

“Que futuro queremos para o Museu da Horta?” foi a pergunta que serviu de mote para a apresentação pública e debate sobre este museu regional, criado em 1977, e que vai passar a ter três polos.

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“Trinity House”: o terceiro pólo do Museu da Horta

Construída em 1902 para acolher as três primeiras companhias de cabos submarinos instaladas na Horta, a “Europe & Azores Telegraph Company” (britânica), a “Deutsch Atlantische Telegraphengesellschaft” (alemã) e a “Commercial Cable Company” (americana), a “Trinity House” vai ser transformada em núcleo museológico do Museu da Horta.

Segundo José Luís Neto,  o novo espaço museológico vai albergar, na cave, a carpintaria; no piso térreo, haverá “um espaço comum” para sediar “todas as associações culturais existentes, em sistema de comodato”, bem como gabinetes técnicos e reservas visitáveis, entre as quais a colecção do fotógrafo faialense Tiago Romão de Sousa.

No 1º andar ficará uma “longa exposição dedicada aos séculos XIX e século XX” na ilha do Faial, “a começar pelo navio a vapor, com maquetes de barcos, com a história dos cabos-telegrafistas e o museu de comunicações”; e no 2º andar ficará sediada a Associação dos Amigos do Museu da Horta, que será “a porta de entrada da intervenção cidadã no museu”, bem como a Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta.

O projeto para a reabilitação da antiga estação de cabos submarinos, onde funcionou o antigo Liceu da Horta, foi adjudicado há cerca de três semanas pelo valor 170 mil euros, sendo que a obra tem um custo previsto de três milhões e meio de euros.

O arquitecto Pedro Garcia, responsável pelo projecto, referiu que estão previstos trabalhos de arquitectura e museografia, salientando que haverá, também, “uma equipa especializada em reabilitações de edifícios”. Há, ainda, “um projecto de arquitectura paisagista para os espaços exteriores”.

Associação dos Amigos do Museu da Horta

Durante a sessão, foi apresentada a Associação dos Amigos do Museu da Horta,  que está em fase de constituição, que “visa contribuir para a divulgação e dinamização das atividades do museu, apoiando a reanimação da zona histórica em que o museu se insere”.

Esta associação pretende “colaborar com o museu na realização de exposições, catálogos, conferências e outras iniciativas culturais”, bem como “estabelecer intercâmbio com diferentes instituições”, entre outros  objectivos.

Segundo Inês Cunha, um dos seis elementos da comissão instaladora para a angariação de sócios, pretende-se a “adesão expressiva de todos os que partilham a vontade de ter um museu contemporâneo que seja vivido e que nos represente”.

Futuro: Museu da Horta terá roteiro cultural à volta da ilha

José Luís Neto, que está na direção deste museu há dois anos, defende que o seu espólio “é tão bom, tão generoso que vai dar para três pólos e ainda vai ter reservas”.

“Muitas das peças que estão em reserva vão ser distribuídas em polos visitáveis por todas as freguesias para constituirmos um grande roteiro cultural à volta da ilha”, afirmou José Luís Neto, referindo-se a uma fase posterior às obras no edifício da “Trinity House”.

O director do museu referiu, ainda, que está previsto um projeto para a reabilitação do jardim da Casa Manuel de Arriaga, “um espaço imenso que vai até à Assembleia e que urge torná-lo útil”. Neste sentido, será criado “um jardim do século XIX, que vai ter um quiosque”.

Sobre o futuro do pólo principal, sediado na ala sul do Colégio dos Jesuítas, adiantou que, do lado nascente, o museu “vai contar a história dos medos do mar, dos mitos da Atlântida, passando pela arte de saber velejar, antes dos navios a vapor”, referindo, ainda, que vão ser criados espaços expositivos dedicados ao Príncipe Alberto do Mónaco, ao Conde Vargas, bem como “uma sala para o Departamento de Oceanografias e Pescas apresentar o que faz, uma sala em permanente mutação, sobre o mar cultural, o mar científico”.

Do outro lado do museu, “teremos a história do pastel, da laranja, da fé das gentes, [teremos espaços dedicados] à gastronomia, ao recorte de papel, ao miolo de figueira, às palhinhas e ao scrimshaw”, referiu, acrescentando que, “no piso de baixo, liberto das reservas [que passarão para a “Trinity House”, estarão as oficinas, serviços educativos e um centro documental”. José Luís Neto garantiu, ainda, que o museu vai ter serviços educativos em todos os pólos.

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