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A Câmara de Santa Cruz da Graciosa vai ter um orçamento de 5,5 milhões de euros para 2023, prevendo investimentos para colmatar a falta de água na ilha açoriana, afirmou hoje o presidente do município.

“O orçamento ronda os 5,5 milhões, como tem sido habitual nos últimos anos. Os investimentos a destacar são, sem dúvida, a obra do reservatório do tanque onde está incluída a substituição da distribuição de águas. É uma obra há muito esperada e que é de extrema importância”, declarou à agência Lusa o presidente do município, o social-democrata António Reis.

Os documentos previsionais da única câmara da Graciosa foram aprovados em Assembleia Municipal realizada na noite de quinta-feira, com três votos contra (dos presidentes de junta de freguesia do PS), sete abstenções de deputados municipais socialistas e oito votos favoráveis da coligação PSD/CDS-PP/PPM.

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Sobre a obra do reservatório, o autarca lembrou os problemas “históricos” de abastecimento de água potável na ilha.

“Esta rede atual é muito antiga. É em fibrocimento e já tem muitas falhas, o que faz perder muita quantidade de água. Com a substituição dessa rede, vamos combater as perdas de água e, ao mesmo tempo, aumentar a qualidade da água que é distribuída aos graciosenses”, explicou.

António Reis destacou ainda a reparação de estradas, a construção de um novo piso sintético no complexo desportivo de Santa Cruz e a manutenção dos apoios às associações no próximo ano, lembrando que a ilha é “rica em coletividades que dependem muito do apoio do município”.

Em 2023, o Imposto Municipal sobre Imóveis no concelho vai continuar na taxa mínima (de 0,3% nos prédios urbanos) e a participação variável do IRS vai voltar a fixar-se nos 3%, acrescentou o presidente do município, que foi eleito pela primeira vez nas autárquicas de 2021, após três mandatos do socialista Manuel Avelar Santos

“No último ano estávamos condicionados pelas opções dos anteriores executivos. Conseguimos cumprir com elas e demos seguimento aos projetos. Estamos agora, nesta fase, preparados para pôr o nosso plano em andamento”, afirmou.

Do lado da oposição, José Ávila (PS) alertou para a “obra adiada da renovação da rede de água” na zona da Guadalupe, que pode colocar em causa a verba de um milhão de euros provenientes de fundos comunitários.

O socialista também defendeu um reforço das verbas para as juntas de freguesia e criticou a falta de investimento público na ilha que tem cerca de 4.300 habitantes, mas considerou que o PS teve uma postura “responsável” ao viabilizar o orçamento.

“Não podíamos obrigar a Câmara a ficar sem orçamento e a trabalhar com duodécimos. Daí termos viabilizado o orçamento. Embora não seja o orçamento que apresentaríamos, também é preciso lembrar que, embora nos custe, quem ganhou a Câmara foi a coligação [PSD/CDS-PP/PPM]”, justificou.

Com cerca de 61 quilómetros quadrados, o município de Santa Cruz abrange toda a ilha Graciosa e divide-se em quatro freguesias: Guadalupe, Luz, São Mateus e Santa Cruz.

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