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O recente movimento nas Lajes, Açores, vem “consubstanciar” a tese da “imprevisibilidade” internacional e prova que os Estados Unidos da América (EUA) não vão prescindir daquela base na ilha Terceira, afirmou o hoje um especialista em relações internacionais.

Luís Andrade, docente da Universidade dos Açores disse que os “movimentos na base das Lajes aumentaram no decurso nos últimos três dias” na sequência da intervenção militar da Rússia na Ucrânia, o que “vem consubstanciar a tese da imprevisibilidade [da cena geopolítica mundial]”.

Em declarações aos jornalistas em Ponta Delgada, Luís Andrade observou que os EUA “não vão prescindir” da base das Lajes, “pelo menos nos tempos mais próximos, porque ninguém adivinha o futuro”.

O especialista falava à Lusa e à RTP/Açores à margem do seminário internacional “Shifts in world geopolitics: cooperation and competition in the Atlantic” (Mudanças na geopolítica mundial: cooperação e competição no Atlântico), promovido hoje pelo Instituto da Defesa Nacional, a par do Centro do Atlântico e da Universidade dos Açores, na academia açoriana, no campus de Ponta Delgada.

Luís Andrade referiu que a importância da base das Lajes, após a Guerra-Fria, “é conjuntural, mas nunca se perdeu, aumentando ou diminuindo consoante aquilo que se passa na cena internacional”.

Com a invasão da Ucrânia pela Rússia, assiste-se a “mais um exemplo, infelizmente, de que os Açores, e concretamente a base, continuam a ser importantes”.

O docente destaca a “imprevisibilidade das relações internacionais”, exemplificando que, “até há relativamente pouco tempo, ninguém fazia uma ideia muito clara do que ia acontecer” entre a Rússia e a Ucrânia.

Os EUA beneficiam de facilidades militares na base das Lajes na sequência do Acordo de Cooperação e Defesa celebrado com Portugal, tendo promovido um “downsizing” da infraestrutura, mas mantendo a sua presença.

À semelhança de Luís Andrade, o assessor do Instituto da Defesa Nacional, Pedro Seabra, numa antecipação para a Lusa do seminário internacional hoje realizado, referiu que os Açores possuem uma centralidade geográfica “incontornável”, apesar das mutações geopolíticas.

O investigador e professor universitário considera que os Açores “têm, antes de mais, uma realidade geográfica incontornável, por mais que a mesma possa ter flutuado ao longo dos anos e ter sido posta em questão em algumas ocasiões”.

O especialista afirma que “existe todo um lastro histórico de experiências em que as Lajes foram essenciais em termos de promover pontes entre os diversos espaços do Atlântico”, o que “poderá também ser novamente recuperado para a atualidade”.

A Rússia lançou na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já provocaram pelo menos mais de 120 mortos, incluindo civis, e centenas de feridos, em território ucraniano, segundo Kiev. A ONU deu conta de 100.000 deslocados no primeiro dia de combates.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a “operação militar especial” na Ucrânia visa “desmilitarizar e desnazificar” o seu vizinho e que era a única maneira de o país se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário, dependendo de seus “resultados” e “relevância”.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e motivou reuniões de emergência de vários governos, incluindo o português, e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), União Europeia (UE) e Conselho de Segurança da ONU, tendo sido aprovadas sanções em massa contra a Rússia.

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